02.05.2017 | 16h22


MATANÇA EM COLNIZA

Dono de madeireira ordenou chacina para explorar terra com ouro

Em coletiva, autoridades da Segurança Pública explicaram que a chacina foi motivada pelo interesse na exploração de madeira e ouro na Gleba Taquaroçu, em Colniza.


DA REPORTAGEM

O delegado Marcelo Muniz, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa afirmou à imprensa, na tarde desta terça-feira (2), que o sócio de uma madeireira da região de Colniza é o mandante da chacina que vitimou nove pessoas na Gleba Taquaroçu do Norte, no dia 19 de abril. A Polícia Civil pediu a prisão temporária do acusado, que está foragido.

"As pessoas não estavam apenas disputando um pedaço de terra, mas o que havia sobre e sob o pedaço de terra”, declarou o secretário de Segurança Rogers Jarbas.

Também é investigada a participação de fazendeiros da região, como mandantes da ação, já que de acordo com o delegado, a matança foi motivada por disputa pela terra, que é rica em madeira e ouro.

Quatro executores cometeram a chacina. Três deles foram identificados, sendo que dois foram presos. 

Os matadores presos são Pedro Ramos Nogueira e Paulo Neves Nogueira, tio e sobrinho, respectivamente. Todos receberam em dinheiro pelos assassinatos. O valor não foi divulgado. Um dos executores foi preso em no distrito de 'Guatá' e outro foi próximo ao município de Machadinho em Rondônia.

O secretário de Segurança Pública do Estado, Rogers Jarbas explicou à imprensa, que a Gleba não pertence ao Estado, nem à União, é alvo de disputa judicial e antigo conflito agrário, mas isso não foi o estopim da matança.

“A motivação principal é a questão da madeira. Sendo a questão da exploração de madeira, muda um pouco o viés da questão. Não é só a questão fundiária. As pessoas não estavam apenas disputando um pedaço de terra, mas o que havia sobre e sob o pedaço de terra”, declarou Rogers.

“Há uma linha de investigação que aponta também o envolvimento de fazendeiros, até pela motivação, que seria a extração de madeira, posteriormente a terra em si e em terceiro plano o minério do local”, afirma o delegado.

Conforme o delegado Muniz, a principal dificuldade no trabalho de investigação era pelo fato das pessoas que prestavam depoimentos não saberem o nome correto dos envolvidos. Como o ‘Doca’ – identificado como Paulo Ramos Nogueira posteriormente.

A identidade do mandante segue em sigilo para que não atrapalhe as investigações. “Nós estamos mantendo sob sigilo porque ele se encontra foragido no momento. Nós estamos tentando entrar em contato através do advogado para que ele se apresente o mais rápido possível para que se faça a prisão efetivamente”, explica Muniz.

Também há a possibilidade de haver mais de um mandante. “Há uma linha de investigação que aponta também o envolvimento de fazendeiros. Até pela motivação, que seria a extração de madeira, posteriormente a terra em si e em terceiro plano o minério do local”, afirma o delegado.

O secretário Rogers Jarbas afirmou que os trabalhos na região continuam até a elucidação completa do caso. As equipes deslocadas até Colniza também permanecem.

Os trabalhadores assassinados foram identificados como Sebastião Ferreira de Souza, 57, Izaul Brito dos Santos, 50, Ezequias Santos de Oliveira, 26, Samuel Antônio da Cunha, 23, Francisco Chaves da Silva, 56, Aldo Aparecido Carlini, 50, Edson Alves Antunes, 32, Valmir Rangeu do Nascimento, 55, e Fábio Rodrigues dos Santos, de 37 anos.

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