14.02.2017 | 12h54


SODOMA 5

Ex-secretário negou parcelar propina a dono de posto; ‘não é Casas Bahia’

César Zílio exigia de empresa R$ 70 mil por mês; empresário disse que chegou a pedir parcelamento, mas o entsecretário negou


DA REDAÇÃO

A decisão da juíza Selma Arruda, da 7º Vara Criminal, que desencadeou a 5ª fase da Operação Sodoma, nesta terça-feira (14), destaca que o ex-secretário de Administração do Estado, César Zílio, exigiu propina no valor de R$ 70 mil mensais, para que o Governo efetuasse os pagamentos, na ordem de R$ 5 milhões em atraso, às empresas que forneciam e gerenciavam o combustível utilizado pelo Executivo e não aceitou parcelar.

Juliano teria tentado “parcelar” o valor acumulado da propina,mas recebeu em resposta de Zílio que “ali não era ‘Casas Bahia’ e que toda a quantia deveria ser paga de uma só vez”, ressalta a decisão.

A propina teria sido exigida em setembro de 2011, sob a argumentação de Zílio de que o valor foi imposto pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB). Os representantes das empresas, Juliano Volpato e Edézio Corrêa, entregaram o montante de R$ 150 mil em outubro de 2011, na casa do ex-secretário.

Juliano teria tentado “parcelar” o valor acumulado da propina,mas recebeu em resposta de Zílio que “ali não era ‘Casas Bahia’ e que toda a quantia deveria ser paga de uma só vez”, ressalta a decisão.

O valor inicial foi apropriado por Zílio e os demais pagamentos divididos entre os membros da organização criminosa. A propina foi paga até abril de 2012, quando uma nova licitação foi realizada pelo Governo do Estado.

O pregão seguinte foi arquitetado de forma que a Marmeleiro Auto Posto LTDA e a Saga Comércio e Serviço Tecnologia e Informática LTDA fossem mantidas como as fornecedoras de combustível do Estado e a propina ficasse estabelecida.

A juíza descreve que César Zílio, Francisco Faiad, Silvio Correa, José de Jesus Cordeiro e Pedro Elias (todos trabalhando na SAD) adotaram providências para que as empresas fossem vencedoras do certame, além de garantir os aditivos de contrato com a empresa Saga, que viabilizava o pagamento da “mesada da quadrilha” até dezembro de 2014.

Zílio já foi acusado por outro empresário de ter exigido o pagamento de propina. Trata-se do empresário Fernando Augusto Canavarros Infantino, dono da JFP Serviços Ltda, que disse ter entregue um cheque no valor de R$ 27.945 mil para César Zílio, no dia 7 de fevereiro de 2013. O cheque, posteriormente, foi utilizado por Zílio na compra de um terreno de 30 mil metros quadrados, na Avenida Beira Rio, no bairro Grande Terceiro, no valor de R$ 13 milhões.

Em seu depoimento, Infantino explicou que no final do ano de 2010, foi convidado por um representante da empresa Delta para operar, por meio da empresa dele, serviços de locação de automóveis para o Governo do Estado e coleta de lixo para a Prefeitura de Cuiabá. O serviço começou a ser operado em fevereiro de 2011, já na gestão do ex-governador Silval Barbosa, quando César Zílio assumiu a Secretaria de Estado de Administração (SAD).

SODOMA

Policiais da Delegacia Fazendária (Defaz) cumprem na manhã desta terça-feira (14), cinco mandados de prisão e nove de condução coercitiva referentes à nova fase da Operação Sodoma, que investiga um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro instalado na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). Entre os presos está o advogado e ex-secretário de Administração do Governo do Estado, Francisco Faiad.

Silval, Silvio Corrêa (ex-chefe de Gabinete) e José Nunes Cordeiro (ex-secretário adjunto de Adminitração) também são alvos de novos mandados de prisão.

A 5ª fase da Operação Sodoma investiga fraudes à licitação, desvio de dinheiro público e pagamento de propinas, realizados pelos representantes da empresa Marmeleiro Auto Posto LTDA e Saga Comércio Serviço Tecnológico e Informática LTDA, em benefício da organização criminosa comandada pelo ex-governador.

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