Cuiabá, 19 de Fevereiro de 2017

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20.12.2016 | 11h00
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JUDICIÁRIO / DEPOIMENTO AO GAECO

Malouf diz que Taques sabia de ‘Caixa 2’ e teria prometido ajudar presos

Empresário afirmou que se reuniu com o governador, no Paiaguás, logo após a prisão do delator da Operação Rêmora, Giovani Guizardi


REDAÇÃO

Divulgação

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O empresário Alan Malouf depôs ao Gaeco e falou sobre supostas doações à campanha de Pedro Taques

O empresário Alan Malouf – preso na semana passada como um dos líderes do esquema de fraudes em licitações da Secretaria de Educação (Seduc) -  disse, em depoimento aos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que o governador Pedro Taques (PSDB) sabia, desde a prisão do delator Giovani Guizardi, que sua campanha eleitoral, em 2014, teria recebido pelo menos R$ 200 mil em “Caixa 2”.

Ainda conforme o depoimento, o governador também teria prometido "ajudar" o ex-secretário Permínio Pinto e o empreteiro Giovani Guizardi, presos na Operação Rêmora. 

Malouf teria dito a Taques que o valor supostamente investido na campanha do tucano foi devolvido a Guizardi, por meio de contratos fraudulentos de obras na Seduc.

O empresário afirmou aos promotores que, após uma conversa, por meio de mensagem, Taques teria solicitado que ele fosse ao seu encontro, no Palácio Paiaguás, para participar de uma reunião com o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques.

Segundo Malouf, que cita o nome do governador por 15 vezes durante o depoimento, a reunião ocorreu logo após ter conhecimento que a prisão de Guizardi estava relacionada aos supostos desvios de recursos da Secretaria.

O empresário disse que, durante o encontro, contou ao governador que Guizardi teria dado apoio econômico à campanha no valor de R$ 200 mil, sem declaração oficial [à Justiça Eleitoral], "o que era de conhecimento do Pedro Taques e Paulo Taques”.

O dono do buffet Leila Malouf falou ainda aos promotores do Gaeco que o montante supostamente doado por Giovani teria sido devolvido por meio do esquema de corrupção na Secretaria de Educação.

“O interrogando [Alan Malouf] se recorda que tanto o governador quanto o secretário de Estado [Paulo Taques] disseram que ‘iriam dar um jeito de resolver’ [o caso]”, diz trecho do documento  do MPE.

Alan Malouf disse que ficou preocupado, mas “seguiu sua vida”.

Ele também afirmou que, depois da conversa que teve com o governador e o secretário, “não viu qualquer movimento [por parte deles em fazer a defesa dos presos], mas se recorda de que nenhum dos dois demostrou surpresa pela prisão de Giovani Guizardi”.

No fim do depoimento, Malouf disse que, em outras reuniões, o governador sempre afirmou que estava "cuidando da questão da prisão Giovani e Permínio".

Operação Grão Vizir

O empresário Alan Malouf está preso desde quarta-feira (14), no Serviço de Operações Especiais (SOE), da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), no bairro Centro América.

Malouf foi detido após o empreiteiro Giovani Guizardi fazer acordo de delação premiada com o MPE, depois de ficar sete meses na cadeia, e citar o empresário como o principal nome do esquema de fraudes.

Segundo ele, 50% da propina arrecadada eram entregues a ele e o restante, dividido com o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB).
Na delação, Guizardi, que é dono da Construtora Dínamo, também afirmou que Alan Malouf teria doado R$ 10 milhões à campanha do governador Pedro Taques (PSDB), em 2016.

 

Outro lado

Por meio de nota, o governador Pedro Taques e o secretário da Casa Civil, Paulo Taques classificaram de "levianas e absurdas" as declarações de investigado Alan Malouf, em depoimento ao Gaeco.

Ambos disseram que todas as movimentações financeiras da campanha de 2014 foram "devidamente registradas na Prestação de Contas do PDT," partido pelo qual Pedro Taques disputou as eleições.

O texto afirma ainda que "embora o investigado tenha mantido relacionamento social com Pedro Taques, suas empresas jamais venceram qualquer licitação ou contrato na administração estadual a partir de 1º de janeiro de 2015, uma vez que o governador, por estrita obediência às leis, nunca interferiu e jamais interferirá em qualquer processo de aquisição ou licitação no âmbito do Governo do Estado ou em qualquer outro Governo". (Leia mais aqui).

Confira a íntegra da nota do Governo do Estado:

"Acerca do depoimento do investigado na Operação Rêmora, Alan Malouf, ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e Naco (Núcleo de Ações de Competências Originárias) do Ministério Público de Mato Grosso, no último dia 16, e divulgado à imprensa nesta segunda-feira (19.12), o Governo de Mato Grosso vem a público esclarecer o que segue:

01) O governador Pedro Taques e o secretário da Casa Civil, Paulo Taques negam enfaticamente as afirmações levianas e absurdas do investigado Alan Malouf sobre a fantasiosa existência de valores não contabilizados (o chamado “caixa dois”) na campanha de 2014, e reiteram que todas as movimentações financeiras do referido pleito eleitoral encontram-se devidamente registradas na Prestação de Contas do PDT, partido pelo qual Pedro Taques disputou àquelas eleições - inclusive as despesas ainda não pagas – sendo que a prestação de contas da campanha foi aprovada sem ressalvas pela Justiça Eleitoral.

02) O governador e o secretário afirmam, ainda, que Alan Malouf jamais exerceu qualquer cargo ou delegação na arrecadação de fundos eleitorais, e que todas as doações, de pessoas físicas ou jurídicas (na época, permitidas) foram devidamente registradas. Portanto, caso haja qualquer valor que eventualmente tenha sido movimento pelo investigado e que não esteja contabilizado, não foi utilizado na campanha, cabendo apenas e tão somente ao investigado esclarecer origem e destino dos valores por ele mencionados.

03) O governador e o secretário classificam as declarações do investigando como uma tentativa sórdida e mentirosa de envolvê-los em ações criminosas das quais jamais tiveram conhecimento, tampouco delas deram ordem ou participaram. Lamentam, ainda, que o investigado tente envolvê-los nos atos ilegais, contrariando todos os demais depoimentos já prestados nessa investigação - com o claro propósito de desviar o foco das acusações que pesam contra si -, e informam que constituirão advogados para atuar no processo judicial e garantir que a verdade prevaleça. E a verdade é uma só: Pedro Taques tem uma vida de luta contra a corrupção e os corruptos, já tento enfrentado e desmantelado inúmeras quadrilhas que agiam no Estado e no país, e jamais compactuaria com qualquer ato ilegal, especialmente relacionado a desvios de recursos públicos.

04) Por fim, o Governo do Estado esclarece que, embora o investigado tenha mantido relacionamento social com Pedro Taques, suas empresas jamais venceram qualquer licitação ou contrato na administração estadual a partir de 01 de janeiro de 2015, uma vez que o governador, por estrita obediência às leis, nunca interferiu e jamais interferirá em qualquer processo de aquisição ou licitação no âmbito do Governo do Estado ou em qualquer outro Governo.

Cuiabá-MT, 19 de dezembro de 2016. GCOM

 
Veja parte do documento do Gaeo:

MPE

DECLARAÇÃO
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


(3) COMENTÁRIOS









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Marcelo  22.12.16 17h29
Esse senhor que ainda está governador e todo sua magnífica equipe, tem equipes se péssimo costume de enganar os outros quando levam demandas a eles dizendo que vão ver, vão tomar providências e etc, e assim que o coitado sai, viram as costas e agem como se nunca alguém estivesse estado ali, vão se f....r todos vocês, estarei vivo para aplaudir...vão aprender a ter mais respeito pelo que é dos outros!!!

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Nancy Yung  21.12.16 05h57
É cobra engolindo cobra.

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condeprata 1  20.12.16 14h21
A batata esta cozinhando.

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