20.05.2017 | 07h40


MATANÇA POR TERRAS

Um mês após a chacina que vitimou 9, moradores temem novo ataque

Gleba Taquaroçu do Norte não pertence ao Estado, nem à União e é alvo de disputa judicial e antigo conflito agrário, por isso as ameaças são constantes.


DA REDAÇÃO

Um mês após a chacina que vitimou nove pessoas na Gleba Taquaroçu do Norte, que fica a 300 km da cidade de Colniza (1.065 km de Cuiabá), o coordenador estadual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Cristiano Cabral, falou ao que as famílias temem novo ataque, diante da sensação de insegurança pela disputa de terra na região.

“As ameaças na região são constantes e as famílias estão com medo de novas mortes e reclamam da falta de segurança para eles”, disse Cabral.

“As ameaças na região são constantes e as famílias estão com medo de novas mortes e reclamam da falta de segurança para eles”, disse Cabral.

Cerca de uma semana após a matança, o noticiou que 15 pessoas da Gleba Taquaroçu do Norte estavam desaparecidas desde a chacina. Cristiano revelou à reportagem que, apesar do temor de que pudesse haver mais vítimas, todos voltaram para casa, mas não querem comentar o que viram no dia da matança.

Ele falou ainda que a CPT está imbuída em cobrar dos órgãos federais como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Ouvidoria Agrária vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), uma posição sobre o caso.

“A comissão tem prestado suporte financeiro e psicológico aos familiares e vítimas do conflito, além disso também cobra incessantemente uma solução do caso, junto aos órgãos federais”, disse o coordenador da CPT.

À reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesp) informou que as famílias que solicitarem reforço policial, serão devidamente atendidas. A Sesp reforçou que todo o suporte necessário para o caso policial foi oferecido para elucidar o crime.

Foragidos

A Polícia Judiciária Civil (PJC) ainda procura por três, dos cinco apontados como executores e mandante do crime.

O delegado Marcelo Miranda, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, que está em Colniza para acompanhar o caso, afirmou que há provas concretas de que Valdelir João de Souza seria um dos mandantes do crime, que teria sido executado por Moisés Ferreira De Souza, Ronaldo Dalmoneck - que estão foragidos - com os comparsas presos, Pedro Ramos Nogueira e Paulo Neves Nogueira.  

“Ainda estamos investigando se existem outros mandantes deste crime, pois a questão envolve muitos interesses, porém os executores foram os quatro: Moisés e Ronaldo, que estão foragidos, e também o Pedro e Paulo que já estão presos”, disse o delegado que foi enviado à Colniza para participar das investigações do crime.

Outro lado 

A defesa de Valdelir alega que não existem provas de que o acusado tenha envolvimento no crime. O advogado Ricardo Spinelli disse ao que não há nada que ligue seu cliente ao crime e explicou que ele apenas tem um contrato de manejo no lote 49 da Gleba.

De acordo com o delegado, a argumentação da defesa não convence as autoridades, mesmo porque o acusado continua foragido.

“Já pedimos ao advogado que oriente ao Valdelir para se apresentar. Todos os acusados já foram indiciados, portanto Valdelir, Moisés e Ronaldo são considerados foragidos e a PJC está em busca de todos”, disse Miranda.

Paulo, foi preso no dia 30 de abril, no Distrito de Guatá, em Colniza, e Pedro foi preso no dia 1º de maio, no Distrito de Tabajara, em Machadinho D'Oeste (RO). Eles são sobrinho e tio, respectivamente.

O crime

A denúncia do Ministério Público do Estado (MPE) aponta que no dia da chacina, Pedro, Paulo, Ronaldo e Moisés, a mando de Valdelir, foram até a Linha 15 da gleba, munidos de armas de fogo e 'arma branca', onde executaram Francisco Chaves da Silva, Edson Alves Antunes, Izaul Brito dos Santos, Alto Aparecido Carlini, Sebastião Ferreira de Souza, Fábio Rodrigues dos Santos, Samuel Antonio da Cunha, Ezequias Satos de Oliveira e Valmir Rangel do Nascimento.

De acordo com a Sesp o crime teria sido cometido por disputa pela terra, rica em madeira.

O secretário de Segurança Pública do Estado, Rogers Jarbas explicou à imprensa, que a Gleba não pertence ao Estado, nem à União, é alvo de disputa judicial e antigo conflito agrário, mas isso não foi o estopim da matança.

“A motivação principal é a questão da madeira. Sendo a questão da exploração de madeira, muda um pouco o viés da questão. Não é só a questão fundiária. As pessoas não estavam apenas disputando um pedaço de terra, mas o que havia sobre e sob o pedaço de terra”, declarou Rogers.

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