06.06.2019 | 08h42


ONOFRE RIBEIRO

Trilhos são o futuro

As rodovias não comportam mais o aumento da produção. Tanto tecnicamente quanto racionalmente

Nos últimos dias escrevi dois artigos sobre a questão da ferrovia Vicente Vuolo, que hoje liga São Paulo a Rondonópolis. Recebi muitas colaborações e muitos questionamentos irritados.

Explico: defensores do traçado original de 1976, de Rubinéia(SP) até Santarém(PA) e ramal pra Vileha(RO), ainda esperam. Mas tem gente que veio depois e enxerga os trilhos pelo que eles são: transportadores de cargas. Sem sentimentos.

O senador Vicente Vuolo e o empresário Olacyr de Moraes, visionários da época continuam certos. Porém, o mundo mudou. Mato Grosso mudou profundamente. O fato é simples. Em 1980, a primeira grande safra de grãos: 30 mil toneladas.

 Em 2019, 62 milhões. As rodovias não comportam mais o aumento da produção. Tanto tecnicamente quanto racionalmente. O correto é um caminhão transportar cargas num raio de 300 km. Não os atuais 2.700 até Paranaguá ou 1.700 até Santarém. Logo, o caminho serão os trens.

Temos três projetos em apreciação e um no campo das possibilidades. O primeiro e mais antigo, é a extensão da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste-FICO, que liga  Campinópolis(GO) a Lucas do Rio Verde(MT), e corta Mato Grosso sentido Leste-Oeste. Se liga à Norte-Sul e à malha nacional pra baixo e ao Pará para cima, em longo de 1.641 km.

O outro projeto, a Ferrogrão, saindo de Sinop até o porto de Miritituba(PA), ao longo de 933 km. Seria construída pelas 5 trades gigantes do agronegócio.  O terceiro trecho seria polêmico. Ligaria Rondonópolis a Sorriso onde se interligaria com a Fico e com a Ferrogrão. A polêmica tem duas razões: passar por Cuiabá e a  própria extensão sob a  responsabilidade da empresa paulista Rumos, que detém a concessão de Rondonópolis a São Paulo. Há muita controvérsia sobre eventualmente construir o trecho Rondonópolis-Sorriso.

A última, em cogitação subiria o Vale do Araguaia até o porto de Ponta da Madeira (MA) hoje operado pela Vale.

O grande nó dessa questão ferroviária é a falta de engajamento, de planejamento público e privado no Estado de Mato Grosso. Fala-se em ferrovias como se fossem sonhos, esquecendo-se que a cada ano a produção ficará maior e o mundo mais complicado e mais globalizado em seus interesses.

Mato Grosso não se discute. Ora lamenta, ora adormece os seus interesses estratégicos!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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