11.06.2018 | 17h18


FRAUDE DO PLÁGIO

MP vai investigar laudo sobre velocidade de carro de médica que matou verdureiro

O Sindicato dos Peritos Oficiais Criminais de Mato Grosso contestam e apontam como plágio o laudo feito por empresa a pedido da Delegacia de Trânsito.


CAMILA PAULINO

O Sindicato dos Peritos Oficiais Criminais de Mato Grosso (Sindpeco) afirmou, na tarde desta segunda-feira (11), que fará uma denúncia de plágio junto ao Ministério Público do Estado (MPE), em relação a um laudo feito pela empresa Forense Lab, divulgado na sexta-feira (9), que concluiu que o Jeep Compass dirigido pela médica dermatologista Letícia Bortolini estava a 95km/h ao atropelar e matar um verdureiro na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá.

Conforme o Sindicato, o laudo feito pela empresa apresenta trechos copiados de outros procedimentos realizados junto a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

O estudo da Forense Lab foi pedido pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran) depois que o laudo da Politec apontou que o carro da dermatologista, que tinha acabado de deixar uma festa open bar juntamente com o marido, estava numa velocidade de apenas 30 km/h.

"Quando a gente teve acesso ao parecer, conversamos com os peritos da Politec que costumam fazer esse tipo de análise e um deles reconheceu que tinha o texto dele de imediato. A gente vai fazer uma representação contra a empresa no Ministério Público", afirmou Antônio Magalhães, presidente do Sindpeco.  

Além disso, a Politec afirmou que a velocidade do veículo ainda não foi constatada pelos peritos que avaliam as imagens do local. Segundo Magalhães, o delegado interpretou erroneamente o outro laudo do local, onde consta que a velocidade de dano foi de 30 km/h.

"A velocidade de dano é diferente da velocidade em que o carro estava. A velocidade de dano é o tempo que a velocidade do carro é reduzida ao atingir algo, como uma lombada, sarjeta, por exemplo. A velocidade do carro será constatada após análise das câmeras, pois o veículo não estava no local e os vestígios encontrados no local foram insuficientes para confirmar isso", disse o presidente.

Laudo polêmico

O documento da Politec concluiu também que o sangue coletado da vítima após o acidente comprovou que ele estava bêbado.

“Exame realizado em amostras de sangue coletas da vítima Francisco Lúcio Maia e apontam que o mesmo encontrava-se com concentração de 25,54 dg/L”.

Na data do atropelamento, Letícia foi seguida por uma testemunha e presa logo depois, no bairro Jardim Itália, depois de matar o verdureiro Francisco Lúcio Maia. A médica chegou a ter a prisão preventiva decretada em audiência de custódia no domingo (15) de abril, porém, a defesa entrou com um habeas corpus no Tribunal de Justiça. Ela foi liberada da cadeia por decisão do desembargador Orlando Perri, na segunda-feira (16), que acatou a justificativa de que ela tem um filho de um ano e seis meses para cuidar.

 

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(2) COMENTÁRIOS

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João  12.06.18 10h52
O Laudo da Politec NUNCA disse que o veiculo da medica estava a 30km/h. Dizia o Laudo que para calcular a velocidade de um acidente é necessario fazer a soma de várias parcelas de velocidades e que a única parcela obtida foi a parcela relacionada a danos e que esta parcela correspondia a 30km/h, portanto, devido a ausencia das demais parcelas a velocidade era indeterminada. Isso que dizia o Laudo. Pena que devido a erro de interpretacao do delegado, criou-se toda essa confusao. Alguem tem voltar para aula de interpretacao de texto!!!

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jose de faria lima  12.06.18 08h09
Que lambança!

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