16.07.2019 | 14h40


ESCUTAS CLANDESTINAS

Zaqueu confirma que Pedro Taques mandou grampear adversários em 2014

Esta é a segunda vez que os coronéis Lesco e Zaqueu prestam depoimento e a terceira vez que o cabo Gerson Correa presta as declarações à Justiça Militar.


DA REPORTAGEM

Prestam depoimento na tarde desta terça-feira (16), ao juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar de Cuiabá, por crimes militares relativos ao esquema de escutas telefônicas clandestinas, operado em Mato Grosso, o ex-comandante da PM, coronel Zaqueu Barbosa, o ex-secretário-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco e o cabo da PM Gerson Correa.

Todos são réus no processo. Esta é a segunda vez que os coronéis prestam depoimento e a terceira vez que o cabo presta declarações à Justiça Militar.

Também são réus o coronel Ronelson Barros, ex-adjunto da Casa Militar, e o coronel Januário Batista.

Zaqueu

"O Paulo e o Pedro pediram para mim se tinha como ouvir algumas pessoas que estavam atrapalhando a reta final das eleições.  Eu não disse nem que sim nem que não", declarou Zaqueu.

O coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante-geral da Polícia Militar é o primeiro a prestar depoimento ao juiz Marcos Faleiros – da 11ª Vara Militar de Cuiabá. O militar revelou que pediu novo interrogatório porque tem por objetivo trazer a verdade e a forma que ocorreu. 

Zaqueu contou que, em 2014, durante a campanha eleitoral, foi procurado via telefone em um domingo, depois do Fantástico, por Paulo Taques e o então candidato ao Governo do Estado Pedro Taques (PSDB).

"Eles foram à minha casa e me disseram que a campanha estava difícil porque tinham queixa de tentativa de roubo em dia de pagamento e indiquei alguns nomes de policiais. Depois disso ocorreram várias reuniões, sempre depois do Fantástico. O Paulo e o Pedro pediram pra mim se tinha como ouvir algumas pessoas que estavam atrapalhando a reta final das eleições. Eu não disse nem que sim nem que não", declarou Zaqueu. 

O ex-comandante da PM também afirmou que Paulo Taques, em certo momento, entregou os números dos advogados Antônio Rosa e José do Patrocínio, além do jornalista Muvuca e pediu que fosse feita a interceptação das ligações e a partir deste momento começou o esquema de 'barriga de aluguel'. "Não ouvi os áudios de Tatiani Sangalli apenas entreguei ao Paulo Taques", afirmou.

Zaqueu revelou ainda que recebeu R$ 12 mil em espécie das mãos do Paulo Taques para custear as escutas clandestinas.

O militar explicou que a partir de certo momento, o sistema Wytron passou a não dar conta da demanda e por isso foi necessário a troca para o sistema Sentinela. A mudança aconteceu com a autorização de Paulo Taques que prometeu aporte de R$ 40 mil, no entanto, os recursos não vieram e o coronel Evandro Lesco passou a fazer empréstimos para bancar o esquema de grampos. 

“Chegou o momento em que o Lesco não tinha mais como bancar e procurou o coronel Siqueira [ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos], que me procurou e eu disse: Procura o Paulo é ele que passa os números”, destacou.

O ex-comandante da PM considerou que os números inseridos no sistema Sentinela tinham como finalidade de atender apenas interesses políticos.

"Qual é o interesse que o cabo Gerson Corrêa tinha em ouvir Tatiane Sangalli? Que interesse ele tinha em ouvir uma repórter Larissa [Malheiros] que não sei nem quem é?", questionou. 

O coronel Zaqueu Barbosa indicou como provas imagens de câmeras de monitoramento dos locais onde encontrou Pedro e Paulo Taques para tratar sobre os assuntos dos grampos. Disse também que a denúncia pode ser investigada por meio dos números telefônicos ao qual falava com ex-secretário-chefe da Casa Civil. 

“Tem o número de telefone, sistema de câmeras. O vigilante da Escola Chave do Saber, onde também existem câmeras de monitoramento, além do sistema de segurança do Palácio [Paiaguás], basta buscar. São alguns elementos que estou citando para o senhor e isso será juntado ao processo”, argumentou. 

 

Os grampos, segundo Zaqueu, só foram suspensos depois que o então secretário de Estado de Segurança Pública Mauro Zaque descobriu. Ao ser informado sobre o caso, Zaque chamou o coronel até a sua casa e disse que já sabia das escutas telefônicas e comunicou que ele o governador estavam determinando que os procedimentos ilegais fossem interrompidos e que o militar seria exonerado do cargo de comando-geral da PM.

Mais informações em instantes. 

RepórterMT

Lesco e Cabo Gerson

Coronel Evandro Lesco e cabo Gerson Correa, que também vão depor como réus, acompanham o depoimento de Zaqueu.

ESQUEMA DE GRAMPOS

O esquema de grampos teria sido realizado entre o período eleitoral de 2014 e o final de 2016. A deputada estadual Janaina Riva (MDB), o advogado eleitoral José do Patrocínio, o desembargador aposentado José Ferreira Leite, o jornalista José Marcondes “Muvuca”, a publicitária Tatiana Sangalli, entre outros, tiveram seus números de telefone incluídos indevidamente em operações policiais.

Em depoimentos anteriores, o cabo Gerson Corrêa Júnior já havia confessado sua participação nas interceptações telefônicas ilegais e afirmado que o ex-secretário-chefe da Casa Civil e o então governador Pedro Taques (PSDB) seriam os “donos” do esquema. Gerson prestou vários depoimentos ao juiz Murilo Moura Mesquita, na 11ª Vara Militar de Cuiabá.

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Gerson afirmou que foi convocado pelo coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante da Polícia Militar, para participar de um projeto que investigaria policiais militares com o intuito de “limpar” a instituição, em 2014. Logo depois, o coronel teria pedido ao cabo que o sistema fosse instalado em um local fora do prédio da PM, e Gerson então alugou uma sala comercial por R$ 1,2 mil.  

Em agosto daquele ano, o cabo afirmou que foi a Chapada dos Guimarães acompanhado do coronel Evandro Lesco para encontrar uma terceira pessoa. No local, Gerson e Lesco teriam se reunido com o então futuro secretário da Casa Civil, Paulo Taques, que à época trabalhava na campanha eleitoral do ainda candidato Pedro Taques. O objetivo seria descobrir possíveis escutas realizadas contra Pedro Taques a mando do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, que tinha sua esposa, Janete Riva, concorrendo ao Governo do Estado.

De acordo com o depoimento do cabo, Paulo Taques ficou responsável por bancar todas as despesas das escutas telefônicas e entregou R$ 50 mil em um segundo encontro, realizado no bairro Consil, em Cuiabá.

O coronel Zaqueu teria fornecido os números a serem interceptados e em setembro de 2014 os grampos teriam tido início. O coronel teria informado a Gerson que o número do jornalista José Marcondes “Muvuca” teria de ser interceptado por ele ser uma ameaça ao então candidato Pedro Taques. O ex-vereador Chico 2000 e o advogado José do Patrocínio teriam sido interceptados com o objetivo de descobrir crimes eleitorais possivelmente cometidos por eles.

Os telefones da deputada Janaína Riva e da jornalista Larissa Malheiros também teriam sido incluídos nos grampos a pedido de Paulo Taques.

O cabo afirmou que nunca escutou os áudios colhidos e que repassava os arquivos ao coronel Zaqueu Barbosa. Na segunda remessa de números também teria sido incluído o telefone da publicitária Tatiane Sangalli, ex-amante de Paulo Taques.

O esquema, conhecido como “barriga de aluguel”, teria continuado até 2015, quando o coronel teria dado a ordem para sua interrupção. A razão seria a descoberta das escutas por parte do promotor Mauro Zaque, que era secretário de Segurança Pública à época.

 











(1) COMENTÁRIOS

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Maria Auxiliadora   16.07.19 19h14
Todos confirmam que Taques não só tinha conhecimento como participou ativamente no grampos ilegais. Vão prendê-lo quando??? Ou não vem ao caso, afinal ela é tucana e tucana tem salvo conduto da justiça e promotoria para praticar crimes e ficar de boa até prescrição.

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