16.01.2012 | 10h25


OPINIÃO / ONOFRE RIBEIRO

MT Centro-Oeste e o mundo



É inevitável encarar o ano de 2012 reconhecendo os novos cenários nacionais e mundiais e, neles, o papel que o Brasil terá. Mas também é inevitável considerar os cenários inevitáveis da região Centro-Oeste do Brasil e, nela, particularmente, de Mato Grosso.

Desde os anos 1950 os Estados Unidos e a Europa impuseram ao resto do mundo a ditadura dos mercados. Pior. Exportam a um valor alto os seus produtos, e compram por preço aviltado. Este tem sido o peso do seu poder econômico. Nessa linha criaram agriculturas altamente subsidiadas que sempre enterraram as agriculturas de países como o Brasil. Essa riqueza tem uma história de pobreza em outras regiões do mundo. Isso todo mundo sabe e para eles tornou-se parte da sua rotina de poder econômico e político.

O que ninguém esperava eram as crises de 2008 em diante e agora a da União Europeia. Caem gradualmente os subsídios governamentais à sua agricultura pouco eficiente. Como o capital não tem pátria e nem ideologia, ele vai migrar para onde houver clima adequado para se multiplicar. A questão dos alimentos e do combustível automotivo torna-se crucial para o mundo. Aqui entra a importância do Brasil, do Centro-Oeste e de Mato Grosso. Não podemos cair na armadilha de gente escolada em lidar pradatoriamente com os mercados. Durante décadas eles corroeram países periféricos como o Brasil. Agora estão com um problemão.

A pergunta é: como lidar com esses mercados e com esses capitais no momento em que estão fragilizados e precisam do essencial: alimentos, combustível e recursos naturais? Aqui cabe uma longa reflexão. Sem dúvida é no Centro-Oeste que será produzida a maior parte dessa demanda. Mas é uma região politicamente despreparada para articular-se. Tem algumas lideranças empresariais e um articulação política frágil.

Para não entregar as suas terras de graça para estrangeiros ou para o capital vindo de lá, nem a sua autonomia e soberania políticas, é preciso projeto estratégico de organização visando aproveitar esse momento ímpar, sem perder a alma e o controle da terra e dos solos que produzem comida, e recursos naturais.

Em recentes encontros de governadores do Centro-Oeste, pude perceber algumas tendências entre os estados. Goiás, está se voltando para o projeto prioritário de conurbar-se com Brasília. Mato Grosso do Sul tem muitas limitações de terra e de produção, logo volta-se para dentro de si mesmo e se dá por feliz. Tocantins lida com muitas limitações. O Distrito Federal é a reconhecida “ilha da fantasia” com muitos recursos e sem projetos. Resta, pois, Mato Grosso, como o maior estado em extensão e em potencial para produzir progressivamente alimentos, combustíveis e recursos naturais.

Inevitável que Mato Grosso se mova nesse sentido. O Governador Silval Barbosa pode ser o condutor de uma articulação estratégica no Centro-Oeste em defesa do seu futuro em que se aproveite a circunstância mundial do momento. Mas isso pede uma forte vontade política e o desejo de tirar o Estado da casca e aprofundá-lo na liderança de um projeto regional novo e completamente fora dos padrões regionais e dos padrões paroquiais dos compadrismos tradicionais.

Nunca o cavalo passou arriado e tão perto de Mato Grosso. Está domado e esperando um cavaleiro! Voltarei ao assunto.

* Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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