10.10.2016 | 17h30


SUPERFATURAMENTO NO MANSO

Ex-procurador 'negociou' venda com Nadaf e considera Afonso 'asqueroso'

Chico Lima, ex-procurador do Estado diz que apenas 'ajudou' o cunhado, Filinto Corrêa, em venda de área por motivo de gratidão e que não tratou junto ao ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto, que considera 'asqueroso'.


DA REDAÇÃO

O ex-procurador-geral do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, negou ter participado de uma organização criminosa supostamente liderada pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB), durante a gestão deste no governo. Em seu interrogatório, realizado na tarde desta segunda-feira (10), ele disse que se fosse dessa forma, também existiria uma organização criminosa na atual gestão do Estado, se referindo ao escândalo da operação Rêmora, que investiga fraudes na Educação.

Lima relatou que ajudou Filinto na intermediação com o Estado, para a venda superfaturada da área do Manso, “por gratidão”, já que à época estava separado da esposa e morando na casa do cunhado.

Ao ser questionado pela juíza Selma Rosane Santos Arruda, da Sétima Vara Criminal, se era verdadeira a acusação do Ministério Público Estadual (MPE) sobre sua efetiva participação no esquema de compra superfaturada de área então pertencente ao seu cunhado, o médico Filinto Corrêa da Costa, para o Estado, com o objetivo de desviar parte dos R$ 7 milhões pagos, ele negou, contrariando a versão dada por Filinto de que dos R$ 7 milhões que recebeu pela venda, teria entregue R$ 2,5 milhões a Chico Lima.

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No entanto, relatou que ajudou Filinto na intermediação com o Estado “por gratidão”. Chico Lima explicou que, na época, em 2014, estava separado de sua esposa e foi morar com sua irmã e seu cunhado. Nessa convivência diária, Filinto, que já havia vendido uma parte de suas terras na região do Manso para o Estado em 2002, disse que iria vender a outra parte de terra, já que não poderia utilizá-la pra a pecuária, por conta da vizinhança com a unidade de conservação. Nisso, pediu ajuda do procurador para agilizar o processo.

“Eu pedi que fosse dada essa mão para o Filinto. Eu era constantemente cobrado por ele e também cobrava o Pedro”, disse sobre a 'negociação' firmada com Pedro Nadaf.

Chico Lima seguiu seu depoimento relatando que procurou o ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, e contou a situação, pedindo que ele o ajudasse no trâmite da desapropriação. “Eu pedi que fosse dada essa mão para o Filinto. Eu era constantemente cobrado por ele e também cobrava o Pedro”, disse.  Em uma dessas cobranças à Nadaf, Chico Lima disse que este lhe disse que dessa ajuda teria que haver um “retorno”, pois tinha dívidas de campanha para pagar.

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Questionado por Arthur Osti, advogado de Silval Barbosa, se Nadaf teria mostrado algum comprovante de que essa dívida realmente existia, Chico Lima disse que isso nunca aconteceu. Também disse que Nadaf até mesmo chegou a lhe dizer que lhe pagaria um valor por ter intermediado o negócio, mas que nunca foi atrás porque somente tinha a intenção de ajudar seu cunhado e sua irmã.

Chico Lima disse que levou para seu cunhado o aviso de Pedro Nadaf, mas que não participou das tratativas sobre a propina, que teriam ocorrido diretamente entre o ex-chefe da Casa Civil e o ex-proprietário do imóvel. “Eu simplesmente ajudei o Filinto pedindo essa mão”, contou.

“Pra mim, ele sempre foi um cara muito asqueroso, que não dava conversa pra ninguém”, disse sobre Afonso Dalberto, ex-presidente do Intermat.

O ex-procurador afirmou ainda que nunca chegou a tratar sobre o assunto com outras pessoas do governo, seja Silval Barbosa, outros secretários, funcionários da Secretaria de Estado de Meio Ambiente ou com o ex-presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Afonso Dalberto. “Pra mim, ele sempre foi um cara muito asqueroso, que não dava conversa pra ninguém”, disse sobre Afonso.   

Ao ser questionado pelo promotor de Justiça Marcos Bulhões se chegou a ter contato com os documentos do imóvel que seria vendido ao Estado, Chico Lima disse que seu cunhado lhe mostrou cópias, mas que não se atentou a ler porque confiava em Filinto e também conhecia pessoalmente a área que seria vendida, pois havia sido de sua família. O ex-procurador ressalta que nunca chegou a dar nenhum parecer jurídico sobre esta e nem sobre outro processo alvo de investigação, como é o caso da operação Sodoma, onde também figura como réu. 

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