29.09.2016 | 15h35


'TERRENO' NO MANSO

Ex-dono de área confessa que repassou R$ 2,5 milhões a Chico Lima

O médico Filinto Correa da Costa afirma que era dono do imóvel há décadas e só o vendeu para o Estado, em 2002, porque estava precisando do dinheiro.


DA REPORTAGEM

Dando sequência aos depoimentos prestados à juíza Selma Rosane Santos Arruda, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, na ação referente à operação Seven, o médico aposentado Filinto Correa da Costa, acusado de vender duas vezes o mesmo imóvel de mais 700 hectares na região do Manso para o Estado para compor o Parque Estadual Águas do Cuiabá, nega essa acusação feita pelo Ministério Público Estadual (MPE) e também nega que tenha superfaturado o preço do imóvel, que lhe pertencia desde o ano de 1976.

Filinto inicia seu depoimento dizendo que jamais fez venda duplicada da área. Ele afirma que em 2001, recebeu uma correspondência da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), que tinha interesse em adquirir a área para implantar ali uma unidade de conservação. O médico respondeu a carta afirmando que tinha dois terrenos para vender.  

O pecuarista confessa que entregou R$ 2,5 milhões para Chico Lima do montante que recebeu pela venda do imóvel. “Eu devolvi R$ 1,25 milhão no primeiro pagamento e R$ 1,25 milhão no segundo”.

“Foi feito um contrato de compra e venda que não tem erro nenhum, que era com pagamento em duas parcelas. Na segunda parcela, foi feita a escritura”, explica.

Filinto conta que, na escritura, foi registrada erroneamente a matrícula 1062, mas que na verdade o terreno vendido era o de matrícula 1063. “Mas eu nunca falei que iria vender a 1062, na época eu não me atentei”, relata. Ele disse que somente descobriu o erro quando a operação Seven foi deflagrada, em fevereiro deste ano, pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

O médico aposentado continua dizendo que fez a correção do número de matrícula em cartório posteriormente. Questionado sobre a acusação de superfaturamento do valor pago pelo Estado pelo imóvel, ele responde que não houve essa situação.  “Pra mim não está! Eu estou ali há 40 anos, eu sei quanto vale a área. Não tem superfaturamento”, assevera. Para ele, atualmente, a fazenda valeria mais R$ 50 milhões. “Eu saí perdendo nesse negócio”, afirma.

Questionado pelo seu advodado, Huendel Rolim, se teria interesse em devolver ao erário o valor superfaturado na venda do imóvel, caso isso se comprove, Filinto Correa respondeu que sim. "Eu acho que isso não vai acontecer, mas se precisar eu devolvo", disse

Ele explica que somente vendeu a área porque, na época, estava precisando do dinheiro e aproveitou a oportunidade porque a procura naquela região era baixa por parte de agricultores. “Ali houve uma mudança muito grande de preço porque não havia procura e não havia tecnologia para plantar soja naquela altitude, hoje tem”.

Questionado pelo promotor de Justiça, Marcos Bulhões, Filinto confirma a informação repassada em Juízo pelo técnico em agrimensura, Ronaldo Sant’Anna, de que pediu para aumentar o valor da avaliação imobiliária de R$ 10 mil/ hectare para R$ 15 mil porque acreditava que seu imóvel valia aquele preço. Ele enfatiza essa ideia alegando a grande importância ecológica e ambiental por conta da quantidade de nascentes existentes na região da bacia do Rio Cuiabá.

Filinto também afirma que pediu ajuda de seu cunhado, o ex-procurador-geral do Estado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, lhe ajudasse na transação com o Estado. “Mas eu nunca pedi para ele fazer nada ilegal!”, salienta. No entanto, o pecuarista confessa que entregou R$ 2,5 milhões para Chico Lima do montante que recebeu pela venda do imóvel. “Eu devolvi R$ 1,25 milhão no primeiro pagamento e R$ 1,25 milhão no segundo”. Os pagamentos a Chico Lima foram feitos em cheques de quantias pequenas, cujas microfilmagens, Filinto afirma ter entregue ao Gaeco.

Questionado pelo seu advodado, Huendel Rolim, se teria interesse em devolver ao erário o valor superfaturado na venda do imóvel, caso isso se comprove, Filinto Correa respondeu que sim. "Eu acho que isso não vai acontecer, mas se precisar eu devolvo", disse, encerrando seu depoimento.











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