20.02.2020 | 09h08


ESPORTES / DECLARAÇÃO DE ESTOCOLMO

ONU quer reduzir em 50% as mais de 1 milhão de mortes por acidentes no trânsito

Entre recomendações está a meta de estabelecer limite máximo de 30 km/h em áreas de maior concentração de usuários vulneráveis e veículos.



A terceira Conferência Global da ONU sobre Segurança no Trânsito foi aberta nesta quarta-feira (19), em Estocolmo, com um chamado aos países-membros para a adoção de medidas destinadas a reduzir as mortes no trânsito em pelo menos 50% até 2030.

Entre as principais recomendações da Declaração de Estocolmo está o controle da velocidade no trânsito, incluindo a meta de estabelecer um limite máximo de 30 km/h em áreas de maior concentração de usuários vulneráveis e veículos - exceto se houver “fortes evidências” de que velocidades acima deste limite possam ser adotadas com segurança.

A cada ano, os acidentes de trânsito causam a morte de mais de 1,35 milhão de pessoas em todo o mundo, além de 50 milhões de feridos - e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os acidentes são a principal causa de morte entre crianças e jovens com idade entre 5 e 29 anos.

“É preciso trabalharmos juntos para compartilhar experiências sobre a imposição de leis relacionadas a riscos comportamentais como excesso de velocidade, beber e dirigir e não utilizar cintos de segurança, cadeiras adaptadas para crianças e capacetes de motocicleta, além da implementação de iniciativas comprovadas para mitigar tais riscos, que podem salvar centenas de milhares de vidas”, diz a declaração da conferência, que terá duração de três dias.

Ministros de Estado de 80 países e cerca de 1.700 representantes de 140 nações participam da conferência, que é co-patrocinada pela OMS. O Brasil está representado por uma delegação chefiada por Marcello da Costa, secretário nacional dos Transportes Terrestres.

Brasil

 

Na Europa, cerca de 25 mil pessoas perdem a vida a cada ano em acidentes de trânsito. Em todo o mundo, segundo a ONU, cerca de 90 por cento dos acidentes ocorrem em países em desenvolvimento.

O Brasil é, segundo dados da OMS, o quarto país com mais mortes no trânsito - atrás de China, Rússia, Índia e Estados Unidos. De acordo com os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em 2017 foi registrado um total de 35,3 mil mortes.

“É preciso observar que a frota de veículos dos Estados Unidos é muito maior, com cerca de 120 milhões de carros a mais do que a frota brasileira”, disse em entrevista à RFI Francisco Garonce, diretor da entidade civil Observatório Nacional de Segurança Viária, e que também participa da conferência de Estocolmo.

Nas rodovias federais, a média mensal de vítimas chegou a aumentar quando o governo Jair Bolsonaro determinou a suspensão do uso de radares móveis, em agosto de 2019, a fim de evitar o que classificou como ‘indústria de multas”.

 

Segundo dados da PRF (Polícia Rodoviária Federal) compilados pela organização SOS Estradas, entre agosto e outubro do ano passado o número de mortes aumentou 2%, e o de feridos 9,1%.

 

“Hoje, a Polícia Rodoviária Federal está utilizando os radares móveis, que foram suspensos temporariamente”, afirma Francisco Garonce. “O problema é que muitos radares foram instalados fora das normas previstas pela legislação, por exemplo atrás de árvores. É papel do Ministério Público determinar a regularização”, acrescenta ele.

Em junho do ano passado, o governo Bolsonaro também apresentou proposta para acabar com as multas aplicadas a quem transporta crianças de zero a sete anos sem a cadeirinha adaptada. Mas segundo Francisco Garonce, a proposta foi retirada do projeto de lei 3267, que propõe mudanças no Código de Trânsito brasileiro e que deverá ser votado na Câmara nas próximas semanas.

“O governo também queria mudar a exigência de exame toxicológico dos condutores, que verifica o consumo de drogas e não permite a renovação da carteira caso ele seja detectado. Mas a proposta do governo também não prosperou, e não está incluída no projeto de lei 3267”, afirma Garonce. Segundo ele, o Brasil enfrenta um desafio gigantesco.

“As declarações de Bolsonaro (sobre suspensão de radares e da obrigatoriedade da cadeirinha) não ajudam. Mas temos também diversos técnicos, e não apenas políticos, que estão envolvidos na tentativa de melhorar a segurança no trânsito”, diz Garonce.

 

“Não considero que vivemos um retrocesso. É um caminhar. Na última década, melhoramos em aspectos como a fiscalização e as exigências em relação ao uso de dispositivos de segurança como o airbag, e discutimos atualmente um programa abrangente de educação para o trânsito nas escolas”, acrescenta ele.

Sobre a declaração do presidente Jair Bolsonaro, que defendeu a retirada dos radares pelo “prazer de dirigir”, Garonce observa que a sociedade como um todo precisa abraçar a causa por maior segurança no trânsito.

“Pode-se perder o prazer de dirigir livremente, mas ganha-se em vidas”, diz ele. “O ideal é alcançar velocidades de 30 quilômetros por hora, para que ninguém mais morra no trânsito."

Segundo o diretor do Observatório Nacional de Segurança Viária, um dos principais desafios do Brasil é a segurança dos motociclistas.

“Por exemplo, no Norte e no Nordeste do Brasil o número de vítimas causadas por acidentes com motocicletas já ultrapassa a quantidade de pedestres mortos em acidentes de trânsito”, ele enfatiza.











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