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26.09.2011 | 12h56


CIDADES

Manifestantes fecham local do crime contra africano em protesto

INARA FONSECA     11h51
DA REDAÇÃO

Com velas nas mãos, em sinal de luto, cerca de 70 pessoas protestaram na noite desta sexta-feira (23) em frente à pizzaria Rola Papo, no bairro Boa Esperança. Os manifestantes estavam indignados com a política do estabelecimento que com menos de 24 horas do assassinato de Toni Bernardo da Silva estava com as portas abertas, como se o crime não tivesse ocorrido. O movimento acusou a pizzaria de ter sido conivente com a morte do jovem.

“O Toni foi espancado por 10 minutos dentro do bar deles e ninguém fez nada? Eles foram coniventes. Além de não terem demonstrado nenhuma sensibilidade, uma noite após um crime brutal dentro da pizzaria e eles estão abertos? Aquele bar nunca respeitou estudante e está instalado num bairro universitário”, afirmou Mariarosa Fernandes, geóloga.

Após ocuparem as ruas laterais da pizzaria e colocarem as velas na calçada do local, os manifestantes nomearam o estabelecimento como "Rola Morte" e reivindicaram que a pizzaria fosse fechada naquela noite. Apenas depois de uma hora de protestos, o movimento conseguiu encerrar as atividades no local. Apesar do ato, o proprietário do Rola Papo não dialogou com os presentes.

Além do protesto, os estudantes da UFMT também denunciaram que a pizzaria teria alterado o cenário do crime. De acordo com a acadêmica de Direito, Lorena Silva, amigos de Toni Bernardo teriam tentando ver o corpo do rapaz após o assassinato, entretanto, foram barrados pelo dono da pizzaria que somente após ter retirado o sangue do local permitiu a entrada de terceiros. Toni Bernardo morava em uma república com amigos ao lado do estabelecimento.

Durante todo o ato, dois carros do 1º Batalhão da Polícia Militar e quatro policiais estavam presentes. De acordo com a polícia, o deslocamento até o local foi voluntário. "O dono do Rola Papo não nos chamou aqui. Eu soube que tinha um grupo de estudantes reunidos na UFMT e chamei os policiais para virem aqui. Sempre que tem movimento de estudante eu aviso mesmo", disse o Aspirante Freitas.

Além de amigos de Toni, estavam presentes no manifesto estudantes e professores da UFMT, representantes de entidades ligadas aos direitos humanos e o vereador Lúdio Cabral (PT).

De acordo com Dalete Soares, integrante do Fórum de Direitos Humanos, uma investigação apurada dos fatos é necessária para que o crime não fique impune. "Foi uma barbaridade o ocorrido. Nada justifica uma morte. Faremos tudo que estiver ao alcance do Fórum e estamos auxiliando para tentar assistir os familiares e amigos", disse Dalete.

UFMT x DROGAS

Responsável pelo acolhimento de Toni Bernardo da Silva, o rapaz saiu de Guiné Bissau para estudar Economia no Brasil, a Universidade Federal de Mato Grosso foi apontada como omissa pelo grupo durante a estadia do jovem em Cuiabá.

A historiadora e acadêmica de Serviço Social da UFMT, Cristiana Vasconcelos, questionou a falta de política da Instituição em relação ao uso de drogas dos estudantes. De acordo com Cristiana, a única ação da Universidade é reprimir os alunos usuários com aparato policial.

"É uma dura realidade. Todos sabem do alto índice de envolvimento de drogas dos estudantes da UFMT, mas a reitora não faz nada. Depois que eu entrei na universidade, me tornei alcoólatra. A pressão lá dentro é muito grande. Eles têm cinco assistentes sociais em desvio de função. A reitoria só enxerga a violência da polícia militar como forma de controle", disse Cristina.

De acordo com relato de amigos, Toni Bernardo tornou-se usuário depois de ter ingressado na UFMT. A Instituição alega que sabia do envolvimento com drogas do rapaz e tentou ajudá-lo, sem êxito.

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