10.06.2019 | 09h37


PROGRAMA CRIMINAL

Linha Direta ajudou a prender quase 400 criminosos

Apesar da ajuda no combate ao crime, o formato do Linha Direta foi dado como desgastado, e a Globo decidiu acabar com o programa.



Há 20 anos, a Globo estreava a segunda versão do Linha Direta. Sob o comando de Marcelo Rezende (1951-2017), a atração mostrava crimes sem solução. Após um começo criticado, em que foi chamado de "Ratinho da Globo" e acusado de abusar do sensacionalismo, o programa ajudou a prender quase 400 criminosos e ganhou o respeito do público.

A emissora já havia produzido uma versão do jornalístico, em 1990, sob o comando de Hélio Costa. No entanto, o formato deu certo e ficou menos de três meses no ar, entre 29 de março e 24 de junho.

Em 1998, Rezende chamou a atenção do público ao entrevistar o serial killer Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, no Fantástico. A polêmica conversa teve grande repercussão e serviu como piloto para a futura atração.

“Medo. Impotência. Desamparo. São sentimentos cada vez mais presentes no cotidiano de todos nós. Nós que vivemos no dia a dia cercados por uma violência cega. Uma violência que nos oprime. A partir de hoje, você está em linha direta com seu direito. Em linha direta com a cidadania”, disse o jornalista ao abrir a primeira edição, exibida em 27 de maio de 1999 e que abordou as mortes de Paulo César Farias e Suzana Marcolino, ocorridas em 1996.

Inspirado no norte-americano Unsolved Mysteries, que ficou no ar entre 1987 e 2010, o Linha Direta reconstituía semanalmente, com riqueza de detalhes, dois casos que permaneciam sem solução, dando a opção aos telespectadores de fornecer, por telefone, informações sobre os criminosos foragidos. Posteriormente, também passou a ser possível colaborar pela internet.

Uma análise de Fernando Barros e Silva na Folha de S.Paulo, publicada em 6 de junho de 1999, comparou a atração à de Ratinho e criticou a iniciativa. "O segredo do programa está em mobilizar e manipular emoções primitivas, em arrancar lágrimas e em provocar pânico na audiência", enfatizou.

É isso o que Rezende e a Globo chamam de 'linha direta com a cidadania', o que, além de piada de mau gosto, é mais uma evidência do barateamento de uma noção raramente praticada, mas que serve para dar um verniz de dignidade às piores barbaridades", completou.

Rezende deixou o programa em 2000, sendo substituído por Domingos Meirelles. Posteriormente, surgiram edições temáticas, como Linha Direta - Justiça, que mostrava crimes e tragédias históricas, e Mistério, com casos sobrenaturais.

Em 3 de setembro de 2003, texto da Veja destacou o sucesso do programa. "O policial Linha Direta já foi o patinho feio da programação da Globo. Na própria cúpula da emissora, há quem o ache de mau gosto, e ele já esteve prestes a sair do ar algumas vezes. Mas sobreviveu --e está mais firme do que nunca. Sua audiência estabilizou-se nos 24 pontos de Ibope, uma média boa", explicou.

Além disso, o programa ganhou um vernizinho cultural e, quem diria, uma legião de defensores", complementou a reportagem, referindo-se a especiais da grife Justiça.

Antes disso, em fevereiro do mesmo ano, a Globo recebeu a medalha Tiradentes da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), a maior comenda estadual, por reconhecimento aos méritos do programa.

Apesar da ajuda no combate ao crime, o formato do Linha Direta foi dado como desgastado, e a Globo decidiu acabar com o programa, apesar dos inúmeros protestos de entidades ligadas aos direitos humanos. A última edição foi exibida em 6 de dezembro de 2007. Depois disso, uma possível volta da atração chegou a ser especulada em algumas oportunidades, mas nunca foi concretizada.











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