14.09.2018 | 08h50


NÃO APAGOU MENSAGENS

Perícia contesta investigação da PF e expõe que prova contra Blairo pode ter sido forjada

O documento contesta a acusação de que mensagens teriam sido apagadas do WhatsApp do ministro, por meio de computador remoto, após o aparelho ser apreendido pela PF.


DA REDAÇÃO

Perícia realizada pelo Instituto Brasileiro de Peritos (IBP-Brasil) apontou que o ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) não teria apagado remotamente as mensagens de três aparelhos celulares pertencentes a ele e sua mulher, Terezinha Maggi, que foram apreendidos pela Polícia Federal. A constatação vai de encontro com as investigações de obstrução de Justiça no âmbito da Operação Ararath.

A PF investiga a possibilidade de que mensagens do aplicativo WhatsApp tenham sido apagadas pelo WhatsApp Web, aberto em um computador desktop comum.

A perícia aponta que Maggi não tinha instalado em seus dispositivos a ferramenta conhecida como “WhatsApp Web Desktop”, única forma de apagar mensagens remotamente.

A constatação indica que as mensagens teriam sido apagadas depois da apreensão do aparelho, já em posse da Polícia Federal.

O relatório da perícia, contratada pelo próprio ministro, foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no processo que está sob a relatoria do ministro Luiz Fux.

A defesa do ministro acusa possível "erro de procedimentos ou prova forjada".

Os celulares de Blairo e Terezinha Maggi foram apreendidos no dia 14 de setembro de 2017 durante a deflagração da Operação Malebolge, 12ª fase da Ararath. Os três aparelhos continuam sob a guarda da PF, que realiza uma perícia própria.

 

“Não. O perito informa que há indícios de deleção, porém não apresenta qualquer evidência sobre a autoria ou origem da deleção das mensagens e nem se elas ocorreram local ou remotamente”, destaca o relatório.

De acordo com uma análise parcial da Polícia Federal, o aparelho teria continuado recebendo mensagens no aplicativo mesmo depois da apreensão, o que indicaria que o procedimento padrão, de colocar o celular em “modo avião” ou desligado, não foi seguido.

As mensagens deletadas foram recebidas entre a meia noite do dia anterior à operação e às 20h no dia 14 de setembro de 2017.

O perito do IBP-Brasil responde a um questionamento feito pela defesa de Maggi, se haveria indício de autoria na deleção das mensagens de acordo com as análises feitas até aqui.

“Não. O perito informa que há indícios de deleção, porém não apresenta qualquer evidência sobre a autoria ou origem da deleção das mensagens e nem se elas ocorreram local ou remotamente”, destaca o relatório.

O documento aponta que é possível que as mensagens tenham sido apagadas propositalmente ou sem intenção, de maneira física, depois que os aparelhos estavam em posse da PF.

“Porém, uma vez que o celular está sendo de fato manipulado, outros procedimentos podem ser efetuados pelo operador  do dispositivo, inadvertidamente ou propositalmente, sendo que, nesse caso recomenda-se que todo o p procedimento seja feito com cautela e registrado passo a  passo, de forma  que  se  saiba  exatamente  o que  foi manuseado  pelo operador e  de  forma  que se minimize a contaminação do  dispositivo”, explica a perícia.

Operação Ararath

Maggi é investigado por diversos casos ocorridos enquanto ele foi governador do Estado e depois de sua gestão. Eleé acusado de ter  participado de um esquema para comprar uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), que foi ocupada pelo conselheiro afastado Sérgio Ricardo. Maggi e outros membros de seu Governo, incluindo o ex-secretário Eder Moraes, teriam pago R$ 12 milhões pela vaga.

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