18.06.2017 | 07h40


"EMBAIXADOR DA PROPINA"

Articulação de Nadaf com empresários o levou à Casa Civil

Em depoimento, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) contou que Pedro Nadaf era homem de confiança na arrecadação de propina no Governo do Estado. O título rendeu a Nadaf o cargo de secretário chefe da Casa Civil.


DA REDAÇÃO

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) contou aos promotores da Operação Sodoma que o ex-secretário chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, era peça fundamental na arrecadação de propina que abasteceu com centenas de milhões de reais o grupo criminoso que comandou o Governo do Estado até o fim de 2014. O sucesso no 'mundo dos negócios ilícitos' foi tanto que o então secretário foi promovido a porta-voz do peemedebista.

Em seu depoimento de confissão à Justiça, Silval revelou que Nadaf se tornou seu ‘braço direito’ após exercer uma função estratégica e muito importante na abordagem de empresários para levantamento de recursos durante a campanha ao comando do Palácio Paiaguás em 2010. À época, o então secretário da Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme) já cobrava propina de empresários em troca da concessão de incentivos fiscais.

Bem assim, Pedro Nadaf exercia a função de levantar fundos para pagamento das dívidas e dos compromissos políticos ilícitos, eis que muitas vezes era necessário o pagamento de propina para manutenção da governabilidade de Mato Grosso”, admitiu o peemedebista.

“Bem assim, Pedro Nadaf exercia a função de levantar fundos para pagamento das dívidas e dos compromissos políticos ilícitos, eis que muitas vezes era necessário o pagamento de propina para manutenção da governabilidade de Mato Grosso”, admitiu o peemedebista.

Na confissão, o ex-governador deixa claro que o poder de articulação e o fato de seu ex-secretário comandar a Federação do Comércio (Fecomércio) facilitava a arrecadação de dinheiro ilícito juntos a empresários. O sucesso no ‘mundo crime’ proporcionou a Nadaf uma promoção como porta-voz do Governo de Mato Grosso, o cargo mais importante do staff estadual depois do chefe de Estado.

Nadaf “assumiu o papel de Eder Moraes” na Casa Civil, a partir de 2013, com a missão de ainda exercer a função de articulador entre “os secretários, bem como, agia administrando o pagamento das dívidas contraídas pelo grupo criminoso e mantinha contato com operadores financeiros”.

Na Casa Civil, o ex-secretário foi peça-chave para oferecer a concessão de incentivos fiscais ao dono da do grupo Tractor Parts, João Rosa, em troca de R$ 2,5 milhões em propina. O caso resultou na 1ª fase da Sodoma e na prisão do ex-governador, de Nadaf e Marcel de Cursi, ex-secretário de Fazenda.

O ex-chefe da Casa Civil também ajudou na formação de uma organização criminosa que lavou R$ 7 milhões por meio da falsa compra de um terreno que pertencia ao Estado. Os crimes vieram à tona durante a Operação Seven, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que resultou em novo mandado de prisão.

Nadaf fez delação premiada e, atualmente, está solto cumprindo apenas medidas cautelares, além do uso de tornozeleira eletrônica. Silval deixou a cadeia na terça-feira (13) para cumprir prisão domiciliar, depois de confessar os crimes ao Ministério Público Estadual (MP) e entregar quase R$ 47 milhões em bens à Justiça.











(2) COMENTÁRIOS

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Carlito  18.06.17 15h50
Muda o governo e os esquemas são os mesmos, aqueles que criticavam os desvios do VLT no governo Silval são os mesmos que hoje defendem a continuidade da obra com a mesma empresa.

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Paulo  18.06.17 15h49
Trocando em miúdos Silval usou a máquina do Estado pra quitar dívida de campanha, mesmo expediente empregado no atual governo nas licitações da Secretaria de Educação.

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