29.02.2012 | 09h45


RODRIGO VARGAS

Transparência Zero



Alguns termos ficam tão bonitos em um discurso que raros gestores públicos resistem à tentação de empregá-los em qualquer ocasião, mesmo que o sentido das palavras seja miseravelmente contrário à realidade. 

Sustentabilidade é um dos preferidos. Todo projeto, tanto faz se é uma rodovia que corta ao meio a Amazônia ou uma usina para produzir etanol nas bordas do Pantanal, é apresentado nos palanques como sendo “sustentável”. 

Não é preciso apresentar estudos consistentes. Não é preciso ouvir as comunidades atingidas. Não é preciso prever os cenários possíveis. Não é preciso provar nada. Basta dizer que é sustentável e ponto final. 

Outro campeão de popularidade é transparência. Nos sites governamentais, inclusive nos de Mato Grosso, é tarefa simples encontrar links com esse termo, levando a páginas que, supostamente, darão ao contribuinte respostas em relação ao uso de seu dinheiro. 

Não é o que acontece na prática. Na imensa maioria das páginas, o que se chama de transparência é na verdade um breu formado por editais de licitação e tabelas contendo milhares de números que, isoladamente, não fazem sentido algum. 

Procure nos sites do TJ e da Assembleia Legislativa e você certamente encontrará os balanços financeiros e as compras realizadas nos últimos meses. Há informação sobre o que foi feito, mas quase nada sobre porque se decidiu fazer. 

Em relação ao maior foco de interesse da população mato-grossense, a preparação de Cuiabá rumo à Copa de 2014, o cenário é desanimador. 

Das simples às mais complexas decisões, tudo o que se faz nos corredores da Secopa parece envolto em penumbra. 

Em quase três anos, nos quais se decidiu trocar a Agecopa pela Secopa, o BRT pelo VLT, comprar e depois cancelar a compra de Land Rovers e teleférico, nada foi suficientemente explicado à população. 

Nas audiências públicas destinadas a discutir o novo e bilionário modal de transportes, os participantes tiveram de se contentar com o que já tinham: desenhos feitos sobre imagens do Google. 

Nesta semana, depois do cancelamento do edital, o anteprojeto do VLT foi colocado à disposição dos interessados na internet. 

Tarifa? Prazo real de conclusão? Você não vai encontrar nenhuma informação concreta a respeito. 

Em compensação, há um monte de editais de licitação da Secopa para você clicar e baixar. É a transparência que nos cabe neste latifúndio. 



RODRIGO VARGAS é repórter do Diário 

rodrigovargas.cba@gmail.com 

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(1) COMENTÁRIOS

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Paulo Cunha  29.02.12 15h02
Ele como Jornalista deveria fazer essas perguntas que não ficaram esclarecidas nas audiências públicas nas cidades que terão o VLT! Acho estranho, pois o próprio jornalista fez uma entrevista com o Eder esses dias para o diário de Cuiabá, mas tb não questionou as Land Rovers e outros contratos da Secopa!! Se questionou, pq não disse à todos! Ouvi na audiência que o prazo será de 24 meses e a tarifa em torno de 3 reais!! Será que o repórter não foi as audiências?

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