10.02.2019 | 07h55


RENATO GOMES NERY

As nossas tragédias

A nossa inaptidão gerencial de estatais é crônica.

Tragédia, em teatro, é uma peça, cuja ação termina ordinariamente em acontecimentos fatais, segundo o Dicionário Google. Foi isto que se repetiu, na  semana passada, no Estado de Minas Gerais, com o rompimento de mais uma barragem em Brumadinho. A imprensa em catarse tem mostrado reiteradamente os desdobramentos deste macabro acidente. Começo a me preocupar com um possível rompimento da Barragem de Manso que está a montante da cidade de Cuiabá, pois a falta de fiscalização está pondo tudo a perder neste Brasil varonil. Se isto porventura acontecer eu não sei o que fazer! Para onde ir! Onde inunda? Onde não inunda?

A nossa inaptidão gerencial de estatais é crônica. Este é um dos motivos que as privatizações têm ganhado adeptos em todo o Brasil. É certo que muitos países se livraram de empresas estatais ineficientes em todo o mundo, como na Inglaterra onde se privatizou quase tudo na década de 80 do século passada, sob a batuta da  Primeira Ministra Margaret Thatcher. Por aqui esta onda se ensaia – vai e volta - e parece que ganha corpo na atual administração. 

Este último acontecimento demonstra que não somos sequer capazes de fiscalizar as empresas estatais que foram vendidas para a iniciativa privada. É a falta de fiscalização que nos remete a repetidas tragédias: Mariana e Brumadinho.  Enfim, o Brasil é uma tragédia anunciada!

Uma tonelada de minério de ferro é exportada a pouco mais U$ 70,00 e deixa por aqui um rastro de destruição ambiental e tragédia como última. O que dar para comprar com este valor? Quantas toneladas de minério de ferro tem-se que produzir para amealhar uns tostões e enxugar as lágrimas de insistentes  tragédias? 

Estufa-se o peito para dizer que somos o celeiro do mundo. A que custos? O meio ambiente se ressente pela aplicação indiscriminada de defensivos agrícolas nas lavouras. As florestas estão sendo extintas pelo descaso e pela fúria da produção exagerada de grãos (soja) para ser exportado a U$ 400,00 a tonelada. As Reservas Indígenas e Quilombolas entraram agora nesta macabra estatística. As estradas e ferrovias estão em precárias condições pelo peso da exportação de produtos primários.

Insistimos neste tema, já abordado em outro artigo: Até quando seremos vítimas da nossa incúria e da nossa incompetência? Até quando esta cruel cegueira nos impedirá de industrializar os nossos produtos primários? E quando teremos acesso as tecnologias de ponta para pôr um ponto final nesta nossa eterna vocação de subserviência?

Quantas são as nossas tragédias?

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá-MT. E-mail – rgnery@terra.com.br

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