22.01.2015 | 10h45


"LEGADO" DA COPA

5ª mais cara do Mundial, Arena Pantanal é interditada por falta de segurança

Obra, que custou aos cofres públicos R$ 570 milhões, apresenta uma serie de irregularidades e não teria condições de receber qualquer evento



Apenas seis meses após a realização da Copa do Mundo, o governo do Estado interditou a Arena Pantanal. Uma equipe técnica contratada pelo Estado teria constatado que a obra, que custou aos cofres públicos R$ 570 milhões, apresenta uma serie de irregularidades e não teria condições de receber qualquer evento. A interdição foi comunicada na tarde de ontem ao presidente da Federação Mato-grossense de Futebol, Helmuth Lawisch, pelo vice-governador Carlos Fávaro (PP).

Com a medida todos os eventos previstos foram cancelados, inclusive o campeonato estadual de futebol, previsto para ser realizado na Arena, a partir do dia 1 de fevereiro terá que ser transferido para outro local.

A avaliação feita pela equipe contratada aponta que vários reparos urgentes precisam ser feitos em diversos setores da Arena Pantanal. Os problemas estariam na parte elétrica, hidráulica e até mesmo em infiltrações no teto da obra, o que deixa o local suscetível a graves acidentes. Os reparos devem ser feitos pela empresa responsável pela construção da Arena Pantanal, que já teria sido notificada a enviar uma equipe para começar os trabalhos.

As irregularidades teriam sido averiguadas pelo governador Pedro Taques (PDT), feita em visita surpresa ao local na última semana.  De acordo com o secretário Extraordinário do Gabinete de Projetos Estratégicos, Gustavo Oliveira, "do jeito que está a Arena Pantanal oferece riscos aos usuários".  As chuvas agravaram os problemas das infiltrações no teto e na parte interna do estádio, prejudicando, inclusive, o gramado. 


QUINTA MAIS CARA

A Arena Pantanal, em Cuiabá, ficou em quinto lugar entre os estádios mais caros construídos para a Copa do Mundo do Brasil 2014. A Arena, hoje, vive abandono.

O custo final da obra fechou em R$ 676 milhões. Perde para o Mané Garrinha, em Brasília, Maracanã, no Rio de Janeiro, Itaquerão, em São Paulo, Fonte Nova, em Salvador, e Mineirão, em Belo Horizonte. O estádio mais caro, que é o Mané Garrincha, custou R$ 1,4 bilhão.

A informação sobre a diferença entre os valores previstos inicialmente e contratados constam do último e definitivo balanço divulgado no Portal da Transparência, do no site do Ministério do Esporte. O gasto total com a Copa do Mundo foi de R$ 27 bilhões. A atualização feita no final de dezembro, seis meses após o mundial, não teve alarde, já que o tão propalado legado estrutural para as cidades não veio e o gasto maior foi mesmo com arenas. Os aeroportos são uma vergonha. As estradas idem. Segurança e Saúde, melhor nem comentar. 

Os estádios das 12 cidades-sede custaram juntos 8,3 bilhões. Esse valor é três vezes maior do que o primeiro orçamento feito pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). 

Desse valor total, R$ 6,4 bi já estão pagos às empreiteiras e outras empresas que executaram as obras e ficaram responsáveis pela instalação de outros serviços. O valor restante ainda será pago mediante a finalização dos trabalhos.

ABANDONO

Lixo se acumula em meio à água parada, o que pode servir de reservatório para o mosquito da dengue. Vidro quebrado na lateral da Arena em um dos jogos realizados este ano no estádio ainda não foi substituído. Há indícios de que guichês estejam servindo de abrigo para usuários de crack. Um dos banheiros públicos, além de mal acabado, está sujo e impróprio para o uso. Uma parte do teto caiu na entrada e o mato já toma conta do estacionamento.

Em pelo menos dois jogos de grande porte realizados na Arena este ano faltou água nos vestiários. O técnico Ney Franco, do Vitória (BA), chegou a comentar, em entrevista coletiva para a

A futura concessionária deverá desembolsar aproximadamente R$ 666 milhões de reais ao longo da Concessão de 30 anos, equivalente a R$ 22 milhões por ano.

imprensa, no dia 23 de outubro deste ano, após a disputa com o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro: "isso é triste, porque mal terminou a Copa e a manutenção dos estádios já está dando problemas". Um outro problema detectado é o mau cheiro provocado pela urina no entorno da Arena, principalmente, em dia de jogo.

A direção da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) explicou, à época, através da Assessoria de Imprensa, que não tem responsabilidade com o estádio, que o Governo é o responsável pela manutenção da Arema e também não quis opinar sobre o caso.

A Arena custou mais de R$ 600 milhões aos cofres públicos e, conforme estudo prévio feito pela Secopa, a outorga mínima anual para exploração do espaço deve ser em torno de R$ 3,1 milhões.  A outorga é uma espécie de “aluguel” que a iniciativa privada tem que pagar para explorar comercialmente um serviço público. Além da outorga, a empresa concessionária terá que pagar ainda anualmente impostos e gastar com manutenção. “A futura concessionária deverá desembolsar aproximadamente R$ 666 milhões de reais ao longo da Concessão de 30 anos, equivalente a R$ 22 milhões por ano”.. 

Após a Copa, a imprensa especulou que, entre interessados em tocar a Arena, está Ronaldo Nazário, o Ronandinho. Na organização do mundial ele participou do Comitê Organizador Local (COL), tendo feito várias visitas a Cuiabá. Ele seria parceiro do ex-presidente do Corinthians, Andrez Sanches no suposto negócio.


Galeria de Fotos:
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(1) COMENTÁRIOS

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Douglas B  22.01.15 15h33
Lamentavel uma obra como essa estar abandonado desse jeito.

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