20.11.2019 | 07h55


SAÚDE E BEM ESTAR

Qual o risco de injetar cafeína e outras substâncias para queimar gordura

O motivo são as reações adversas a substâncias usadas para melhorar a aparência, sobretudo dar um fim às gorduras que arredondam a silhueta.



O imunologista Luiz Vicente Rizzo, da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, de São Paulo, tem notado um movimento diferente no seu consultório. Nos últimos dois anos, além dos casos de asma, urticária, rinite e doenças autoimunes, o especialista está atendendo pessoas com outro tipo de queixa. "Hoje, 20% dos pacientes que me procuram vêm devido a procedimentos estéticos diversos", revela. Não que o médico tenha decidido investir na seara de seus colegas dermatologistas. O motivo são as reações adversas a substâncias usadas para melhorar a aparência, sobretudo dar um fim às gorduras que arredondam a silhueta. "É óbvio que não dá para fazer uma grande análise baseada no consultório de um único médico, mas, independentemente do que seja, isso chama a atenção pelo precedente", diz Rizzo.

Os pacientes batem à porta do imunologista devido à vermelhidão, ao inchaço da pele e à coceira que dão as caras depois de se submeteram às sessões com fins de embelezamento. Daí acham que se trata de uma resposta do sistema de defesa do corpo. "Mas, na maioria das vezes, é algo meramente inflamatório", diz o imunologista. "Alergia é uma reação muito específica a uma determinada substância que deveria ser ignorada pelo organismo, como a proteína do leite ou o amendoim," explica. Nesses casos, o tratamento é simples: nem passar perto do agente causador.

Já no caso dos procedimentos estéticos, o roteiro pode ser imprevisível, especialmente se a substância usada for injetável e não tiver passado por nenhum teste científico ou submetida à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. Há relados de indivíduos que se valem até de injeção de cafeína na tentativa de eliminar os pneuzinhos. "Como a pessoa injeta cafeína nela mesma? Não se sabe o que pode ocorrer", alerta Rizzo. "Ela foi feita para ser absorvida via oral." O componente mais conhecido do café é um neuromediador, ou seja, age nas células nervosas ao ser ingerido. É por esse motivo que ficamos mais animados e até contentes depois de beber uma xícara.

"Existem reações adversas a coisas conhecidas", fala Rizzo. "São ruins, mas sabemos o que está acontecendo." Com substâncias estranhas é outra história. Não se tem ideia do que pode vir à tona. "Desconhece-se onde o produto vai grudar. Como são micromoléculas, elas se ligam a moléculas maiores dentro do organismo. O que essa união vai produzir é incerto." Fora o perigo de o material cair na corrente sanguínea, porque está sendo injetado. No sangue, o produto vai ser apresentado ao sistema imunológico. "Não é como ingerir algo que será digerido e, depois, expelido pelo organismo", lembra Rizzo.

O composto fica no corpo. O processo de constante estimulação da resposta imunológica pode gerar problemas importantes, mesmo que seja algo inerte. "Quando você toma um medicamento que é necessário e tem uma reação a ele, isso é uma consequência, um fato. Se ingere algo de que não precisa e apresenta uma resposta adversa, é outra categoria. No primeiro caso, é um acidente. No outro, não", analisa o especialista. Em outras palavras, o risco de inocular algo que nunca foi testado e avalizado é grande. E se torna ainda maior quando é conduzido por alguém não habilitado.

Procedimentos estéticos com injeção de substâncias precisam ser realizados por um médico. "E sob condições hospitalares", avisa Rizzo. Qualquer reação pode emergir quando se aplica um composto no corpo de alguém, ainda mais cafeína, diz o imunologista. A toxina botulínica e o ácido hialurônico, que já são há bastante tempo empregados para fins estéticos, contam com um histórico alentado. E foram avaliados por estudos. Mas, mesmo assim, têm de ser administrados por médicos. "O profissional que não é formado em medicina não reconhece de cara uma complicação, se é uma infecção bacteriana ou viral, por exemplo", diz o dermatologista Sérgio Palma, presidente da Sociedade Brasileira de Brasileira de Dermatologia. A pele muitas vezes é um meio de cultura natural para os germes. Segundo ele, materiais injetáveis devem ter autorização da Anvisa e serem estéreis. Em mãos não qualificadas, um método erroneamente empregado pode resultar na necrose de tecidos. Dessa forma, vale ficar de olho nas seguintes orientações:

1. Procure ler sobre o procedimento, se ele foi liberado pela Anvisa e avaliado por pesquisas científicas. O material autorizado tem informações sobre origem, lote e prazo de validade, informações úteis se houver uma complicação.

2. Tire todas as suas dúvidas sobre a substância junto ao médico. O paciente tem autonomia de dizer sim ou não ao que vai ser aplicado no seu corpo

3. Em caso de dúvida, peça uma segunda opinião.

4. Estabelecimentos médicos são os melhores ambientes para a aplicação. Evite aplicações em salões de beleza e afins

5. A clínica deve seguir padrões de esterilização e descarte de produtos.











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