15.05.2019 | 09h35


SAÚDE DO HOMEM

Poluição do ar reduz a fertilidade masculina, afirma pesquisa da USP

Mudança ocorre por causa de mudanças nos genes provocadas por fatores externos



Um novo estudo da Universidade de São Paulo (USP) comprova, pela primeira vez, que o ar poluído das grandes cidades interfere na produção de espermatozoides, diminuindo a fertilidade dos homens.

Na pesquisa, cientistas avalariam como o PM – material particulado (partículas extremamente finas de substâncias líquidas ou sólidas) – e o PM 2.5 (partícula fina que desestabiliza o sistema endócrino de humanos e animais) do ar da capital paulista influenciavam no desenvolvimento de espermatozoides. 

Para a análise, os pesquisadores dividiram roedores em quatro grupos. Eles foram expostos a diferentes graus de poluição: o primeiro respirou PM 2.5 antes e depois do nascimento, do dia do desmame de leite materno até a idade adulta. O segundo grupo recebeu a exposição somente durante a gestação, ou seja, quando os ratos estavam nos úteros. A terceira parte dos animais ficou exposta apenas depois do nascimento. Já o quarto não teve contato com a poluição, respirando ar filtrado do desmame até a idade adulta. 

“A exposição a poluição altera a expressão de genes importantes para a formação de espermatozoides”, explica à GALILEU Elaine Frade, pesquisadora da USP, presidente da Comissão do Desreguladores Endócrinos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e uma das autoras do estudo. De acordo com ela, todos os animais expostos a poluição apresentaram alterações de fertilidade. 

Os resultados indicam que os ratos expostos ao PM 2.5 tiveram mais sinais de deteoriaração dos tubos produtores de espermatozoides nos testículos do que os animais que não respiraram nada de poluição. Além disso, em uma comparação do primeiro grupo – exposto no pré e pós-natal – com o quarto grupo, a qualidade dos espermatozoides do primeiro foi pior. 

No laboratório da USP, onde a pesquisa foi realizada, há um concentrador que suga o ar poluído, o armazena e o libera para as câmaras de exposição – onde os roedores ficaram. “É importante frisar que eu não simulei a poluição do ar”, comenta Frade. “Eu realmente peguei o ar de São Paulo.”

Para chegar a conclusão, os cientistas fizeram testes de DNA para analisar a expressão gênica – processamento da informação genética hereditária. Segundo a avaliação, o PM 2.5 provocou mudanças nos níveis dos genes relacionados à função testicular. O contato com a poluição após o nascimento dos roedores foi o pior tipo de exposição para a funcionalidade dos testículos.

No entanto, o estudo afirma que as alterações são epigenéticas. Isso significa que elas não ocorrem na sequência do DNA, e sim que podem "ativar ou desativar genes, determinando quais proteínas o DNA irá expressar". 

Levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que 15% da popolução global enfrenta problemas de fertilidade, sendo que os homens são responsáveis por metade desse índice. Frade acredita que a poluição do ar é um dos principais fatores. “O espermatozoide têm células mais vulneráveis que o óvulo", diz ela, explicando porque a análise foi focada somente nos homens, e não avaliou como a poluição altera a fertilidade feminina. 

Para a pesquisadora, as descobertas mostram que os governos devem elaborar políticas públicas para controlar a poluição nos centros urbanos. “Fica o alerta para as autoridades do meio ambiente, pois precisamos criar leis mais rígidas aos veículos que poluem as cidades."











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