06.11.2019 | 16h23


PLANETA BIZARRO

Mulher larga emprego para comer 5 mil calorias por refeição

Charna Rowley, 22, pretende monetizar a carreira de protagonista de mukbang, estilo de vídeo no qual a pessoa come quantidades absurdas



Cansada de seu emprego em um escritório em Londres, Charna Rowley, 22, decidiu apostar em uma nova carreira: comer quantidades pornográficas de comida em frente a uma câmera e postar os vídeos no YouTube. Conhecido como mukbang, o movimento começou na Coreia do Sul e vem se difundindo pelo mundo. Charna escolhe um tipo de comida (que, às vezes, chega por meio de delivery), come e comenta sobre o cardápio. Normalmente, ela ingere cerca de 5 mil calorias por refeição, mas pretende chegar a 10 mil em breve.

Em entrevista ao jornal inglês Metro, a jovem diz se sentir confiante. “Eu só preciso mostrar o quão confiante sou. Pode ser que alguma coisa fique presa no meu dente ou ao redor da minha boca, mas as pessoas amam que eu seja engraçada. Recebo comentários negativos me dizendo o quão gorda estou e que poderia ser muito bonita se não comesse tanto, mas não costumo responder. Gosto de comer e me sinto bem assim – e agora posso monetizar isso e atender aos pedidos das pessoas, isso pode se tornar uma carreira em tempo integral”, afirmou.

Charna e a mãe, que apoia os vídeos da filha, não estão preocupadas com os impactos que a orgia gastronômica pode causar na saúde da inglesa. Para ela, frequentar a academia quatro vezes por semana é o suficiente para evitar os efeitos nocivos das quantidades de sal, gordura e açúcar ingeridas. Os vídeos são gravados duas vezes por semana.

Uma dieta saudável equilibra carboidratos, proteínas e fibras em cerca de 2.500 calorias diárias. “Para mim esse movimento é um espanto, não há ser humano que precise de uma refeição com 5 mil calorias. A gente tem que comer o que o corpo precisa, não ultrapassar esses limites”, afirma a nutricionista Carla de Castro, da clínica Andréa Chaves.

Segundo a especialista, uma dieta hipercalórica traz muitos malefícios, mesmo que seja feita apenas algumas vezes. “É muito difícil chegar a essa quantidade de calorias com alimentos saudáveis, essas comidas são ricas em gorduras, açúcar e sódio. Pode-se criar uma resistência à insulina, diabetes e alteração na pressão arterial, por exemplo”, diz.

A qualidade do alimento ingerido também prejudica a digestão, principalmente pela presença de compostos de difícil absorção, como glúten e caseína (proteínas do trigo e leite, respectivamente). A nutricionista ensina que o excesso de alimentação altera a microbiota intestinal, e o órgão acaba ficando mais permeável do que o normal.

“Pode ser que alguma bactéria não positiva ou agente patológico seja ingerido com a comida e, como as paredes do intestino estão mais permeáveis, esses elementos podem entrar na corrente sanguínea e chegar ao cérebro. As consequências são inflamação neural, depressão, ansiedade e outras síndromes e doenças neurológicas”, conta Carla.

A nutricionista alerta ainda para a desculpa de Charna quanto à quantidade de exercícios: fazer muita atividade física é inadequado e vai contra as questões biológicas. “Um atleta, por exemplo, também consome muitas calorias e faz muito exercício, mas está sendo acompanhado por uma equipe multidisciplinar e come apenas o que é adequado. São pessoas que estão fora de um contexto geral”, lembra.











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