14.11.2019 | 09h29


LAÇOS DE FAMÍLIA

Menina de 2 anos ajuda pais com deficiência a andar e usar celular

Mesmo com a pouca idade, a pequena Ana Clara Mello consegue guiar os pais e apontar obstáculos pela casa. Mãe da criança tem baixa visão e pai enxerga apenas vultos.



A pequena Ana Clara Mello tem apenas 2 anos mas já entende que os pais, que têm deficiência visual, possuem limitações e até consegue orientá-los nas atividades do cotidiano. Morando em Fortaleza com a família, Clarinha, como é chamada, transforma em brincadeira atividades como guiar os passos dos pais, direcionar o dedo da mãe na tela do celular e até sinalizar objetos caídos pelo chão da casa.

As ações foram incentivadas e ensinadas pelos pais, mas também adotadas naturalmente pela própria menina, como conta a mãe de Ana Clara, a cabeleireira Marlene Mello, que possui entre 5 e 10% da visão. “Quando ela tinha uns dez meses, eu a arrumei e falei: ‘filha, mostra para o papai como você está linda’ e eu fiquei pensando em como ela iria mostrar. Ela pegou a mão dele e foi mostrando o laço, a roupa, o sapato”. À medida que ia crescendo, a criança também mostrava para o pai o tamanho do cabelo e nascimento dos dentes.

“Ela sabe que eu enxergo um pouco e sabe que o pai dela precisa mais do que eu, então ela segura na mão do pai dela”, conta.

Marlene perdeu parte da visão por conta de uma hidrocefalia, o acúmulo de líquido no cérebro. “Passei dois meses internada, entre a vida e a morte. Consegui colocar a válvula, mas demorou e, por isso, eu perdi a visão”, relata. A mãe de Clarinha consegue ver vultos com cores, mas não tem definição. “Para mexer no celular, eu uso leitor de tela, não consigo ver o rosto da Clarinha com nitidez, são imagens distorcidas”. Já o pai da criança, Alex Mello, nasceu com retinose pigmentar, doença em que a retina é danificada, e enxerga somente vultos.

O casal se conheceu em um bate-papo na internet e namorou potrês meses à distância, ela em Fortaleza e ele em São Carlos, município de São Paulo. “Logo depois ele veio me conhecer e já veio para a gente se casar, nós nos conhecemos no dia do casamento”, lembra Marlene.

Conversa durante a gestação

 

A gravidez não foi planejada, de acordo com os pais. Inicialmente, eles ficaram inseguros e receosos, por acharem que não dariam conta. “Ser pai era um grande sonho do Alex e para mim também, mas as pessoas são muito negativas, eu cresci vendo que gravidez era uma doença. Juntou isso e o medo de não poder ter filhos”.











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