19.09.2019 | 18h20


RELATO

Depois de cinco meses juntas, minha namorada doou um rim para salvar minha vida

A psicóloga americana, Alana Duran, de 28 anos, tem lúpus desde os 12. Aos 21, passou a sofrer de insuficiência renal.



“Fui uma criança normal. Futebol sempre foi o meu esporte favorito, mas também nadava, andava de bicicleta... Vivia acampando com meu grupo de escoteiros mirins. Tudo isso antes de descobrir o lúpus, aos 12 anos. Essa doença acontece porque o sistema imunológico produz anticorpos em excesso e eles passam a atacar o próprio organismo, provocando inflamações e lesões em nos órgãos. é tão forte e ativo, que ele acaba atacando as células saudáveis do nosso corpo. Aos 21, soube que o lúpus havia afetado meus rins e fui diagnosticado com insuficiência renal.

Até que, em setembro de 2015, tudo mudou na minha vida. Eu e Lori, uma advogada linda de 25 anos, demos ‘match’ no Tinder. Já no primeiro encontro, falei sobre minha doença. Sei que é difícil namorar com uma doente crônica, então sempre preferi tocar logo no assunto. Fazia hemodiálise e sei que algumas pessoas não conseguem lidar bem com isso. Contando de cara, já elimino quem eu sinto que não vai segurar a onda.

 

Na terceira vez que saímos, aprofundamos o tema e contei que estava na fila para achar um doador havia cinco anos. Não sabia quanto tempo demoraria nem se encontraria alguém compatível, já que ninguém na minha família era. Ela me fez algumas perguntas e quase caí para trás quando ela falou que queria fazer o teste para ver se era compatível comigo.

Passamos a nos encontrar frequentemente e, um mês depois, com ela já preenchendo todos os formulários para fazer o teste de compatibilidade, começamos a namorar oficialmente. E, depois de inúmeros exames de sangue, ressonâncias magnéticas e tomografias, por sorte ou pura coincidência da vida, descobrimos que ela era compatível comigo.

Quando o resultado dos exames finalmente saiu e ficou constatado que ela poderia ser minha doadora, Lori decidiu fazer uma surpresa para me contar a novidade. Era um dia comum, como tantos outros. Ela chegou para me ver com uma caixa enorme cheia dos objetos que eu mais gostava: guloseimas, canetas coloridas e, por baixo de tudo, havia um lindo cartão. ‘It’s a match! Fique na lista de espera ou aceite meu rim’, estava escrito. Fiquei tão feliz, chocada, surpresa... Tudo ao mesmo tempo. Caí em prantos. Estava com 25 anos e ali, naquele momento, descobri o que era o amor! Foi lindo!

A família da Lori ficou um pouco preocupada com tudo isso, principalmente, ao saber que ela realmente ia ser minha doadora. Até então, eles nem me conheciam direito. Depois que passaram a me conhecer melhor, me amaram, ficaram felizes e muito orgulhosos com a atitude da filha. Minha família, por outro lado, estava em êxtase e passaram a considera-la como filha.

Ela me fez essa surpresa em novembro, dois meses depois de a gente se conhecer. Mais três meses depois e já estávamos na mesa de cirurgia, lado a lado. Me recuperei antes dela. Logo após a operação, apesar de cansada, meu corpo e meu espírito vibravam de alegria. É sempre mais difícil para a pessoa que doado que para quem recebe o rim. Mas, em 30 dias, já estávamos recuperadas.  Ainda tomo remédio todos os dias. Tanto para o lúpus quanto para que meu corpo não rejeite o rim que recebi. Vou ter me medicar para o resto da minha vida.

Há dois anos, moramos juntas. Sempre falamos em oficializar a nossa união, queremos fazer um belo casamento e também pensamos seriamente em ter filhos. Ainda estamos segurando um pouco essa ideia, por enquanto. Primeiro pretendo me estabilizar em um emprego e ela ainda vai trabalhar muito no escritório de advocacia nos primeiros dois anos. Mas formar a nossa família já está nos nossos planos.

Nem nos meus sonhos mais remotos, jamais passaria pela minha cabeça que iria encontrar uma doadora pelo Tinder! É tão raro achar uma pessoa que seja 100 por cento compatível conosco. Lori salvou a minha vida!

Ainda não tive oportunidade de lhe retribuir fazendo grandes loucuras de amor para ela, pois nada se compara a doar um rim. Mas um dia ainda vou surpreendê-la de forma grandiosa. Eu já planejo isso. Lori que me aguarde!”











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