14.10.2019 | 18h35


CIÊNCIA E SAÚDE

Bebê que nasceu sem pele recebe órgão criado em laboratório

Pela primeira vez em 10 meses, os pais de Ja'bari Gray puderam pegar o filho no colo. Causa da deficiência ainda não foi definida



Até as 37 semanas de gravidez, tudo parecia certo com a gestação da americana Priscilla Maldonado. Quando os médicos perceberam que o bebê não estava ganhando peso, decidiram induzir o parto normal. A mãe, entretanto, sofreu uma grave queda nos batimentos cardíacos e teve que ser submetida a uma cesariana de emergência. Ja’bari nasceu com pés e mãos fundidos, olhos fechados e pele apenas no rosto e em algumas partes das pernas.

O hospital realocou o bebê para a unidade de terapia intensiva, mas avisou Priscilla e Marvin Gray, seu marido, de que não havia o que fazer. O casal decidiu transferir o filho para o Hospital de Crianças do Texas. Os médicos do centro de saúde entraram em contato com um laboratório em Boston especializado em vítimas de queimaduras, que acabou criando uma pele artificial para Ja’bari.

Agora, 10 meses depois do nascimento da criança, Priscilla e Marvin podem, finalmente, segurar o bebê. “Agora podemos beijá-lo, tocá-lo, tudo isso. Ele estava chorando enquanto estava deitado, e eu pude pegá-lo no colo. No momento que tivemos um contato de pele, ele parou de chorar. O nome dele significa ‘lutador’”, contou a mãe ao KTRK, uma afiliada da rede televisiva ABC no Texas.

 
 

Apesar de o transplante de pele ter dado certo, Ja’bari ainda deve ficar no hospital por algum tempo. O bebê passou por duas cirurgias para abrir as pálpebras, mas elas fecharam novamente. Ele também deve ser submetido a procedimentos para tentar resolver os problemas com as mãos e os pés.

Os médicos diagnosticaram o pequeno com uma doença chamada aplasia cútis congênita, que afeta um a cada 10 mil nascidos vivos e pode ser genética. Porém, a nova suspeita dos profissionais é que Ja’bari tenha epidermólise bolhosa – os pacientes diagnosticados não fabricam colágeno VII, uma proteína que liga as camadas superficiais às mais profundas da pele, e, por essa deficiência, ela começa a cair.

Por enquanto, o bebê está bem. Sem tomar medicamentos para dor e conseguindo respirar sozinho, Ja’bari pode vestir roupas pela primeira vez e começa a fazer barulhos típicos de bebê. “Ele está interagindo”, diz a mãe.











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