27.04.2019 | 08h38


CRUELDADE

Austrália quer exterminar 2 milhões de gatos de rua com petiscos envenenados

Governo afirma que os felinos ameaçam cerca de 140 espécies de animais nativas. Entidades criticam proposta



O governo da Austrália anunciou que pretende exterminar cerca de 2 milhões de gatos até 2022. A estratégia usada será com o envenenamento de petiscos, para que os animais os coma. As informação são da BBC.

Os felinos que serão alvo da operação não são gatos quaisquer, mas animais que retornaram para a vida selvagem e agora ameaçam cerca de 140 espécies nativas do país. Eles são chamados gatos ferais.

“Os gatos ferais são da mesma espécie dos gatos domésticos, mas vivem e se reproduzem na selva, sobrevivendo da caça ou de animais mortos. São encontrados em toda a Austrália, em todos os habitats”, afirma o Departamento de Meio Ambiente e Energia do país. Eles se alimentam de outros bichos nativos, como coelhos, pássaros e lagartos.

O governo estima que existam entre dois e seis milhões de gatos ferais no território australiano. Em 2015, o governo declarou oficialmente que a espécie é uma praga no país e ameaça a vida nativa no local. “Eles têm sido um dos principais responsáveis pela extinção de pelo menos 27 mamíferos, desde que foram introduzidos na Austrália. Hoje, colocam em perigo pelo menos 142 espécies e mais de um terço dos mamíferos, répteis, sapos e pássaros que estão ameaçados”, afirma o documento Estratégia para Espécies Ameaçadas, publicado no mesmo ano.

Segundo o Departamento de Meio Ambiente da Austrália a forma mais efetiva de controlar os gatos selvagens em grandes áreas é com petiscos envenenados. A toxina fatal é injetada no alimento e jogados no chão com aviões ou drones.

Proposta é criticada

Diversos abaixo-assinados foram criados contra a medida. Um dos mais populares conseguiu cerca de 30 mil assinaturas. O texto da petição mostra outra solução para o problema: fazer armadilhas para capturar os animais, castrá-los e depois liberá-los. Assim, os animais não se reproduziriam mais.

O caso também ganhou notoriedade após a atriz francesa e ativista pelo direito dos animais Brigitte Bardot se pronunciar em 2015. “Esse genocídio animal é desumano e ridículo. Além de ser cruel, matar esses gatos é absolutamente inútil, já que o resto deles continuará se reproduzindo”, escreveu Bardot em carta para o então ministro do Meio Ambiente australiano.

Em resposta, o governo australiano disse que “não é realista ou factível fazer armadilhas e castrar milhões de gatos ferais nos mais de sete milhões de quilômetros quadrados” do território australiano. Além disso, argumentou que não seria humano permitir que animais nativos continuem sendo mortos pelos gatos, dia após dia.











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