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02.08.2020 | 08h00


VARIEDADES / PONTO K

A região polêmica do fundo da vagina que promete muito prazer



Quanto mais a sexualidade feminina é discutida e abordada com liberdade, leveza e informação, mais possibilidades de prazer se apresentam para as mulheres. Uma delas é a estimulação do suposto Ponto K, zona erógena próxima ao colo do útero que teria sido descoberta pela terapeuta sexual norte-americana Barbara Keesling em 1998. Autora de vários livros, como "Faça Amor A Noite Inteira!" e "A Cura pelo Sexo", lançados no Brasil pela Editora Record, Barbara também se referiu à área como "passagem misteriosa", por ter sido pouco explorada até sua divulgação.

O Ponto K, segundo Deva Geeta, terapeuta tântrica de São Paulo (SP), é o ponto da Kundalini, energia vital que todo ser humano carrega dentro de si nos preceitos da tradição hindu e que percorre o corpo como se fosse o movimento de uma serpente. "Para liberar essa energia é necessário que o parceiro faça uma massagem cuidadosa e lenta por todo o corpo, principalmente na pontinha da base da coluna, o cóccix. E, depois, concentrar uma atenção especial e demorada à vulva e à vagina", conta

Como o Ponto K situa-se no fundo do canal vaginal e próximo ao cérvix, o ideal é o parceiro fazer uma espécie de gancho com um ou dois dedos, num movimento para cima e para a frente dele, como se estivesse chamando alguém. "Tudo deve ser feito com delicadeza e concentração. Caso contrário, o toque pode ser incômodo ou até doloroso. É absolutamente necessário que a mulher esteja excitada o suficiente e devidamente lubrificada", diz Renata. Por ficar, em tese, próximo ao colo do útero, é mais difícil estimular o Ponto K sozinha. Uma ideia é usar sex toys com o formato da ponta levemente curvo. A existência do Ponto K, no entanto, é permeada por dúvidas, críticas e controvérsias.

Por falta de pesquisas e estudos comprobatórios, os médicos - ginecologistas, em sua maioria - se mostram reticentes em abordar o assunto. "A ginecologia não reconhece o ponto K. Não existe na literatura científica nenhuma publicação científica sobre isso. O órgão efetor do orgasmo na mulher é o clitóris", afirma Lúcia Alves Lara, presidente da Comissão Nacional Especializada de Sexologia da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Segundo a ginecologista e obstetra Karina Tafner, embora os orgasmos clitorianos sejam mais comuns, algumas mulheres relatam que a estimulação profunda, dentro da vagina, pode levar a orgasmos mais intensos.

 

"Há descrições, mas não consenso sobre sua existência, de alguns pontos erógenos vaginais com inúmeras terminações nervosas e sensíveis a estímulos e pressão", diz, lembrando que, conforme algumas descrições, o Ponto K se assemelha ao chamado Ponto A - que também carece de comprovação pela ciência. O mais conhecido e discutido é o Ponto G, identificado pelo ginecologista alemão Ernst Gräffenberg (1881-1957) em 1950 como uma área na parede anterior da vagina capaz de desencadear o orgasmo. Entretanto, suas possíveis propriedades "mágicas" também não são unanimidade entre os experts. "Isso porque o próprio Gräffenberg nunca deixou claro como descobriu esse ponto, que método usou na pesquisa e o que exatamente observou para fundamentar suas conclusões", observa o médico sexologista José Carlos Riechelmann. Sensibilidade plausível Para Débora Padua, fisioterapeuta pélvica e sexóloga especializada no tratamento de vaginismo e dor na relação, de São Paulo (SP), é fundamental ter em mente que cada mulher é única e, portanto, vivencia o prazer de uma maneira particular. "Só o clitóris, por exemplo, tem cerca de 8 mil terminações nervosas. E como tem toda uma parte interna que não conseguimos ver, tem todo um potencial de prazer que se expande por toda a vagina. Acho que, mais do que a pressão para tentar identificar um ou outro ponto, o ideal é se dedicar à exploração pessoal de onde, exatamente, há satisfação", fala. E, a partir daí, aproveitá-lo com o parceiro. Já a sexóloga e terapeuta tântrica sistêmica Paula Manadevi, do Rio de Janeiro (RJ), pontua que para acessar novas áreas eróticas é preciso desconstruir a visão ocidental do sexo. "Nas práticas do Tantra, por exemplo, tudo é feito com conexão e respeito pelo par. Esse foco no momento do sexo facilita não só a localização do Ponto K, mas proporciona ainda um intenso prazer em conjunto. O foco não é o orgasmo, ele é a consequência. E o meio nem sempre é a penetração, em que o homem, em geral, age como uma britadeira desgovernada", compara.











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