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09.06.2010 | 00h00


POLÍTICA

ONU aprova sanções contra sonho nuclear do IRÃ; Brasil vota contra



O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou nesta quarta-feira uma quarta rodada de sanções contra o Irã devido ao seu programa nuclear.

Dos 15 membros do Conselho, 12 votaram a favor das sanções, um deles --o Líbano-- se absteve e apenas dois --Brasil e Turquia-- votaram contra a adoção do pacote.

Os dois países --membros não-permanentes do Conselho de Segurança-- consideram que deve ser dado mais tempo à diplomacia depois do acordo que foi assinado em maio com o Irã para troca de combustível nuclear.

Após o término da votação, Susan Rice, a representante dos Estados Unidos no CS disse que as sanções "não são direcionadas contra o povo iraniano", mas sim "contra as ambições nucleares de um governo que repetidamente perdeu oportunidades de provar que seu programa nuclear tem somente fins pacíficos".

Rice afirmou ainda que o governo dos EUA não é contra a o uso de energia atômica, mas que para garantir a segurança internacional, é necessário que este tipo de tecnologia seja utilizado com responsabilidade.

O Irã desafiou continuamente resoluções do Conselho de Segurança e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), dando prosseguimento ao seu programa de enriquecimento de urânio e construindo mais instalações nucleares do que o permitido pelas regras internacionais às quais havia se submetido.

"Para resolver esta situação, o Irã pode agir da maneira mais simples e fácil, passando a cooperar totalmente com a AIEA e suspendendo imediatamente suas atividades que não são aprovadas pela comunidade internacional", afirmou Rice.

A representante disse ainda que os Estados Unidos estão "prontos" para retomar um diálogo com a República Islâmica assim que essas medidas forem implementadas. "Esperamos poder mostrar ao Irã o quanto o país tem a ganhar caso comece a agir de maneira responsável, respeitando as regras internacionais", concluiu.

POTÊNCIAS

Horas antes da votação, potências ocidentais haviam rejeitado oficialmente o acordo nuclear alcançado entre Brasil, Irã e Turquia, transmitindo sua posição à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). Rússia, EUA e a França enviaram sua resposta oficial ao acordo de intercâmbio de urânio assinado pelo Irã com o Brasil e a Turquia em 24 de maio passado, indicou nesta quarta-feira um diplomata ligado ao órgão da ONU.

De acordo com a posição divulgada pelos EUA, Rússia e França, a proposta de acordo acertada entre Brasil, Irã e Turquia deixaria o país com material suficiente para fabricar uma arma nuclear. A informação tornada pública pelo Irã de que o pacto não impediria de continuar enriquecendo urânio também preocupa as potências.

Para os três países ocidentais o acordo, que derivou de uma oferta similar feita pela AIEA ao Irã ainda no ano passado, não esclareceu dúvidas importantes sobre o programa nuclear do país, que eles acreditam estar desenvolvendo armas nucleares. O Irã nega e diz que enriquece urânio somente para fins pacíficos.

Na segunda-feira (6), a AIEA voltou a pedir ao governo iraniano que dê provas conclusivas de que não pretende adquirir armamentos atômicos.

As novas sanções devem vetar investimentos exteriores iranianos em atividades e instalações relacionadas com a produção de urânio, serão estabelecidas restrições na venda de armas convencionais ao Irã. Além disso, o país será proibido de fabricar mísseis balísticos com capacidade de carregar ogivas nucleares.

Também deve haver novas restrições às operações financeiras e comerciais com o Irã, além do reforço do regime de inspeções das cargas dos navios e aviões iranianos para evitar que burlem o embargo internacional.

UNIÃO EUROPEIA

Anteriormente nesta quarta-feira, a União Europeia (UE) condenou firmemente a "falta de cooperação" do Irã com a ONU e disse que o programa nuclear do país "desafia" as regras de não-proliferação de armas nucleares impostas pelo TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear).

As declarações foram feitas durante uma reunião da Junta de Diretores da AIEA em Viena, nesta quarta-feira.

Para a UE, as atividades nucleares do Irã constituem "um sério desafio ao regime internacional de não-proliferação, assim como à paz e à segurança internacionais".

Para o bloco, é preocupante que Teerã continue a enriquecer urânio a 20% e em ritmo acelerado. O Irã nega que o material seria utilizado para a construção de armas nucleares, mas as potências ocidentais rejeitam as justificativas.

"A situação permanece sendo altamente insatisfatória", concluiu a UE em declaração entregue à AIEA.











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