20.02.2011 | 13h32


Violência contra mulheres supera 10 mil casos na Capital

MAYARA MICHELS     08h10
DA REDAÇÃO

A violência contra a mulher superou a marca dos 10 mil casos em Cuiabá no ano passado entre casos de ameaças, estupro, lesão corporal, injúria e crimes passionais. Segundo informações da Polícia Civil, os crimes as vítimas são mulheres de todas as idades.

A titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, Claúdia Maria Lisita, destaca que todos os dias há registros de violências, mas ainda há muito medo por parte das mulheres em denunciar. "O índice é muito alto, todos os dias recebemos novas ocorrências. Mas sabemos que muitas têm medo, mas denunciar, procurar ajuda", disse a delegada. Já que muitas mulheres não buscam o serviço policial, a delegada acrescenta que o número de agressões pode ser muito superior ao divulgado.

Nos índices oficiais, em primeiro aparecem as ameaças, com 4.614 ocorrências; seguidas de lesão corporal - enquadramento na Lei Maria da Penha, com 2.383 ocorrências. De 2009 para 2010, ocorreu um aumento de 2.284 ocorrências.

A delegada reitera que não houve um aumento da violência contra mulheres, mas sim, um crescimento no número de denúncias. Por isso a polícia pede para que cada vez mais as mulheres denunciem, busquem resguardar seus direitos em caso de agressão, violência ou ameaças, pois a falta de denúncia gera a impunidade.

Na capital, as ocorrências podem ser feitas em qualquer Centro Integrado de Segurança e Cidadania, ou na própria Delegacia da Mulher, localizada no centro de Cuiabá.

Maria da Penha


Um dos grandes avanços da lei 11.340/2006 que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra mulheres foi a adoção de medidas protetivas de urgência. Outro avanço foi a autorização de lavratura de Auto de Prisão em Flagrante dos crimes considerados de menor potencial ofensivo - aqueles de até dois anos - inclusive, autorizando a decretação de prisão preventiva do autor, a exemplo dos crimes de ameaça que antes não era dado destaque à gravidade do crime.

Para fazer uso da lei Maria da Penha, a vítima não precisa especificamente ser esposa do agressor, mas sim ter laços familiares, ou seja, ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, com quem conviva ou tenha convivido. A lei só é assistida a mulheres.

Estudiosa sobre o assunto, a diretora adjunta da Polícia Civil, Sílvia Virgínia Ferrari, enfatiza que estatisticamente a mulher é mais vitima do que o homem e que a violência psicológica que acontece veladamente não é entendida pela maioria das vítimas como crime. "Marcas físicas é o que aparece, mas as ameaças, a violência psicológica não". "Se ela [vítima] cortasse esse ciclo de violência psicológica, talvez esses crimes bárbaros não aconteceriam", completa Sílvia.











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