07.04.2019 | 07h40


DEPOIMENTOS COMPROVAM

Tenente do Bope iria denunciar policiais e foi morto por colegas de farda


DA REDAÇÃO

O promotor de Justiça Allan Sidney do Ó afirmou que os depoimentos das testemunhas corroboram com a denúncia do Ministério Público Estadual de que Carlos Henrique Paschiotto Scheifer, tenente do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), foi assassinado de maneira covarde pelos colegas de farda, em uma mata no Distrito de União do Norte, em Peixoto de Azevedo, no dia 13 de maio de 2017.

Os depoimentos citados pelo promotor fazem da parte da primeira audiência de instrução do processo, ocorrida na quarta-feira (03) , na 11ª Vara Militar de Cuiabá, onde são julgados pela execução de Scheifer os policiais militares cabo Lucélio Gomes Jacinto, o sargento Joailton Lopes de Amorim e o soldado Werney Cavalcante Jovino.

O  promotor Allan Sidney ressalta que oitivas das testemunhas reforçam a tese do MPE de que Scheifer iria denunciar os colegas por insubordinação por causa da abordagem que resultou na morte de um bandido da quadrilha do novo cangaço conhecido como Marconi.

Mas segundo o promotor, antes que o tenente fizesse a denúncia contra seus subordinados, no caso o cabo Jacinto, o sargento Amorim e o soldado Jovino, teriam simulado um confronto na mata para assassinar Scheifer.

“As oitivas estão a corroborar sobre a forma covarde como se deu o assassinado de um oficial da Policia Militar, uma pessoa honrada e descente”, ressaltou o promotor.

“As oitivas estão a corroborar sobre a forma covarde como se deu o assassinado de um oficial da Policia Militar, uma pessoa honrada e descente”, ressaltou o promotor.

Ele citou o tenente-coronel Carlos Fernando, uma das testemunhas do processo, que produziu o Inquérito Policiar Militar (IPM) contra os três PMs supostamente envolvidos na execução. Segundo o promotor, o documento trata-se de um “excepcional inquérito militar” que demonstrou “a total falácia dos três acusados e total procedência da ação penal”.

“Para mim está mais claro que o sol do meio dia [...] no nosso entendimento ministerial, o tempo que ele [Scheifer] não teve para tomar a adoção, os três engendraram o homicídio. As provas soltam aos nossos olhos, a covardia.”, enfatizou o promotor.   

Entenda

Inicialmente o cabo Jacinto, o sargento Amorim e o soldado Jovino afirmaram que Scheifer foi morto por um bandido, durante confronto na mata. Eles estavam à procura de uma quadrilha do novo cangaço, que havia assaltado um banco na cidade de Matupa (a 696 km de Cuiabá).

No entanto, o exame da balística comprovou que os disparo que atingiu o tenente do Bope partiu do fuzil do cabo Jacinto. A partir disso, o PM mudou a sua versão e disse que o tiro foi acidental na tentativa de acertar os bandidos.

“Somente após a balística descortinar que o disparo, que atingira mortalmente o tenente Scheifer ter saído da arma de fogo portada pelo denunciado cabo da PM Jacinto, que então mudando a versão de outrora, ele alegou ter se equivocado da pessoa do tenente Scheifer com a do suspeito”, afirma a denúncia do MPE.

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