14.10.2010 | 20h34


POLÍCIA

Sachetti suspeitaria de manobra de Yuri para "gerir" orçamento de R$ 3 bi



Blog Paulo Vinícius Coelho

A renúncia de Adílson Sachetti, presidente da Agência da Copa do Mato Grosso (Agecopa), ontem, escancarou uma crise política na região central do país que envolve briga por poder numa autarquia que administrará mais de R$ 3 bilhões em investimentos para o Mundial 2014. A autarquia tinha Sachetti como presidente e era formada por outros seis diretores. Quatro deles agruparam-se contra Sachetti e ganharam praticamente todas as decisões relevantes dos últimos meses. Esse grupo é encabeçado por Yuri Bastos, acusado de irregularidades durante sua atuação como secretário de Turismo do MT.

 

“Renunciei por divergências. A Copa e o Mato Grosso são maiores do que as pessoas. Melhor encerrar por aqui a explicação”, disse Sachetti em entrevista a este blog, por telefone.

 

Sachetti não diz abertamente, mas suspeita de manobras para que o grupo de Bastos passe a presidir a Agecopa e o montante superior a R$ 3 bilhões. Em teoria, a renúncia não atrapalha as obras do estádio Verdão: “Ele é o mais adiantado do Brasil”, diz Sachetti. Para o estádio, a verba é de R$ 354 milhões e 80% do dinheiro da obra, assim como das obras de mobilidade nas cercanias do Verdão, serão viabilizadas com financiamento do BNDES.

 

Yuri Bastos foi secretário de Turismo e hoje ocupa a diretoria de assuntos estratégicos da Agecopa. Encabeça um grupo de quatro diretores da autarquia que tomavam decisões contrárias à vontade do presidente Sachetti. Os demais são Carlos Brito, diretor de infra-estrutura, Agripino Bonilha, de Articulação Interinstitucional, e Roberto França, de Comunicação e Marketing.

 

Contra Bastos, pesam acusações pela atuação como secretário de Turismo. Uma delas é a de beneficiar o advogado Antônio Chechim ao escolher área para a instalação de um teleférico no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. Em 2002, quando Yuri Bastos era candidato a deputado estadual, Chechim doou cerca de R$ 25 mil para sua campanha.

 

O Ministério Público do MT também abriu investigação para apurar denúncia de cobrança de propina e favorecimento a uma empresa que gerenciava o plano de saúde dos servidores do estado, no tempo em que o presidente do MT Saúde era Yuri Bastos. A denúncia diz que a empresa Connectmed foi contratada sem licitação e que Yuri Bastos teria negociado com a empresa para que esta lhe passasse a enviar a quantia de R$ 68 mil mensais, conforme reportagem da TV Cento-América, afiliada à Rede Globo.

 

Segundo o regimento da Agecopa, no caso de ausência de qualquer um dos membros da autarquia, os outros diretores devem se reunir e escolher um dos remanescentes para o posto. Bastos é, portanto, um dos possíveis sucessores de Sachetti na presidência da Agecopa. Sachetti, o presidente que renunciou, foi prefeito de Rondonópolis entre 2005 e 2008. Todos os diretores da Agecopa foram indicados pelo ex-governador Blairo Maggi, eleito senador pelo PR-MT. O atual governador, Silval Barbosa (PMDB) foi reeleito em 3 de outubro. Foi ele quem acolheu o pedido de renúncia.

 











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