21.11.2019 | 08h27


MORTE NA CELA

Presos ajudaram Marreta a matar asfixiado ex-líder do Comando Vermelho

Exame de necropsia revela que Petróleo foi morto vítima de estrangulamento e não suicídio como havia sido divulgado. O líder da facção, Marreta, assumiu a autoria do crime.


DA REDAÇÃO

O exame de necropsia no corpo do detento Paulo César da Silva, conhecido como “Petróleo”, afasta a hipótese de suicídio e aponta para o crime de estrangulamento. Além disso, a tese contesta o depoimento do presidiário Luciano Mariano da Silva, o “Marreta”, de que teria assassinado o colega de cela sozinho.

No documento, consta que os detentos, que dividem cela com o criminoso, tinham lesões aparentes pelo corpo o que leva a suspeita de que eles também tiveram participação no crime.

Marreta é líder do Comando Vermelho em Mato Grosso e afirmou ter matado o então comparsa por medo de ser morto, uma vez que a vítima o delatou para a Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel) e indiretamente havia o ameaçado de morte.

O crime ocorreu no dia 27 de outubro, por volta das 23h, no raio cinco da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.
Em depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na tarde de segunda-feira (18), Marreta confessou a autoria do homicídio, mas negou a participação dos outros presidiários.

“Matei para não morrer”, afirmou o bandido.

No entanto, os policiais que participaram ativamente das investigações no dia da morte, perceberam que pelo menos dois dos três detentos que estavam no cubículo em questão, apresentavam lesões nos braços e costas, além da vítima que, também tinha um ferimento em um dos dedos. O exame de necropsia aponta uma possível tentativa de defesa da vítima, ao reagir às agressões.

Questionado no depoimento, Marreta foi enfático ao dizer que não se ‘manifesta’ em relação aos depoimentos das outras testemunhas do assassinato.

A execução

Luciano Marreta disse que no dia do crime aguardou Petróleo se distrair, foi até o banheiro e ao retornar atacou o ‘colega’ de cela.

Ele argumentou que os presidiários mais antigos da unidade passaram a dormir no chão, em razão da melhoria na ventilação após o período de reforma da estrutura.
Com uma trança feita com lençol e um pedaço de pano umedecido com perfume, ele imobilizou o rival e o asfixiou, enquanto os demais membros da cela, em sua versão, dormiam.

Então arrastou o corpo sozinho e o colocou de ‘barriga para cima’, no vaso sanitário e a partir dali Petróleo pelo pescoço, na altura de 25 centímetros, simulando suicídio.
A execução, segundo o réu confesso, iniciou às 23h e foi finalizada por volta das 3h, sem nenhum dos detentos terem percebido a movimentação.

Por volta das 6h, Marreta foi ao banheiro e acionou os agentes carcereiros e teria dito ter encontrado o ‘amigo’ morto.

A nova versão, entretanto, não é condizente com parte da perícia, uma vez que até o acusado possuía uma lesão na panturrilha, que ele justificou ter sofrido ao encostar-se ao vaso sanitário no momento em que ‘puxava’ o corpo para posicioná-lo amarrado a uma barra de ferro.

(Leia a matéria sobre a confissão do assassinato)

 











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