30.05.2019 | 07h00


OPERAÇÃO MANTUS

Políticos e servidores podem estar envolvidos com jogo do bicho em MT

Declaração é de um dos delegados responsáveis pelas investigações, que duraram dois anos e apuraram os crimes de duas organizações criminosas.


DA REDAÇÃO

A Operação Mantus, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (29) para prender duas quadrilhas rivais, que atuavam com jogo do bicho, pode chegar a agentes do Estado.

Dentre os presos, estão João Arcanjo Ribeiro, o genro dele, Giovanni Zem Rodrigues e o principal rival dos dois, o empresário Frederico Müller Coutinho.

Conforme o delegado Luiz Henrique Damasceno, da Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz), o depoimento dos alvos e análise do material apreendido pode apontar envolvimento de políticos ou servidores, que classificou como ‘agentes de Estado’.

“Tem muito documento para analisar. Sabemos que pode ter participação de agentes do Estado. Ainda não foi detectado, mas é uma possibilidade. Vamos analisar com calma e juntamente com o GCCO definir quais serão as futuras diligências. Vamos fazer o interrogatório dos presos, ouvir um por um dentro de 10 dias”, afirmou Damasceno.

“Tem muito documento para analisar. Sabemos que pode ter participação de agentes do Estado. Ainda não foi detectado, mas é uma possibilidade. Vamos analisar com calma e juntamente com o GCCO definir quais serão as futuras diligências. Vamos fazer o interrogatório dos presos, ouvir um por um dentro de 10 dias”, afirmou Damasceno.

Operação Mantus

Dois anos de investigação resultaram em 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar, expedidos pelo juiz da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu, na manhã de quarta-feira (29) de maio.

As investigações detectaram duas organizações criminosas que comandam o jogo do bicho no Estado de Mato Grosso, e que movimentaram em um ano, apenas em contas bancárias, mais de R$ 20 milhões. Uma das organizações é liderada por João Arcanjo Ribeiro e seu genro Giovanni Zem Rodrigues, já a outra é liderada por Frederico Müller Coutinho.

João Arcanjo Ribeiro, conhecido como “comendador”, é acusado de liderar o crime organizado em Mato Grosso, nas décadas de 80 e 90, sendo o maior “bicheiro” do Estado, além de estar envolvido com a sonegação de milhares de Reais em impostos, entre outros crimes.

No ano de 2002, Arcanjo foi alvo da operação da Polícia Federal, Arca de Noé, em que teve o mandado de prisão preventiva expedido pelos crimes de contravenção penal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e homicídio. A prisão do bicheiro foi cumprida em abril de 2003 no Uruguai. Arcanjo conseguiu a progressão de pena do regime fechado para o semiaberto em fevereiro de 2018, após 15 anos preso.

O comendador II

O empresário Frederico Müller Coutinho é um dos delatores da Operação Sodoma, que investigou fraudes que resultaram na prisão do ex-governador Silval Barbosa. Müller trocava cheques no esquema e chegou a passar dinheiro para o então braço direito do ex-governador. Os cheques teriam sido emitidos como parte de um suposto acordo de pagamento de propina ao grupo político do ex-governador.

Durante as investigações, foi identificada uma acirrada disputa de espaço pelas organizações, havendo situações de extorsão mediante sequestro praticada com o objetivo de manter o controle da jogatina em algumas cidades.

Os investigadores também identificaram remessas de valores para o exterior, com o recolhimento de impostos para não levantar suspeitas das autoridades. Foram decretados os bloqueios de contas e investimentos em nome dos investigados, bem como houve o sequestro de ao menos três prédios vinculados aos crimes investigados.

Os acusados vão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, contravenção penal do jogo do bicho e extorsão mediante sequestro, cujas penas somadas ultrapassam 30 anos.











(1) COMENTÁRIOS

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marcia  30.05.19 16h25
podem ????? kkkk

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