31.05.2019 | 20h50


OPERAÇÃO MANTUS

Polícia prende captador de clientes do jogo do bicho em festa de rodeio

Laender dos Santos também seria o responsável por recolher o dinheiro das bancas do jogo de azar para o grupo de Frederico Müller Coutinho, concorrente de Arcanjo.


DA REDAÇÃO

Policiais da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) prenderam na tarde desta sexta-feira (31) mais um alvo da Operação Mantus, que levou para a cadeia o bicheiro João Arcanjo Ribeiro, o genro dele, Giovanni Zem Rodrigues, e o empresário Frederico Müller Coutinho, chamado de novo "comendador", além de outros acusados de integrarem dois grupos que atuavam com jogo do bicho e lavagem de dinheiro em Mato Grosso.

De acordo com o delegado Flávio Stringueta, Laender dos Santos Andrade foi preso no momento em que participava de um rodeio na festa de exposição agropecuária de Brasnorte (575 km de Cuiabá).

Laender dos Santos Andrade, segundo os investigadores, era o responsável por captar clientes e recolher o dinheiro das bancas do jogo do bicho no município de Rondonópolis (221 km da Capital) para o grupo de Frederico Müller Coutinho, concorrente de João Arcanjo.

Durante a Operação Mantus, os policiais civis identificaram uma acirrada disputa de espaço pelas organizações, havendo situações de extorsão mediante sequestro praticado com o objetivo de manter o controle da jogatina em algumas cidades do Estado.

Os investigadores também descobriram remessas de valores para o exterior, com o recolhimento de impostos para não levantar suspeitas das autoridades. Foram decretados os bloqueios de contas e investimentos em nome dos investigados, bem como houve o sequestro de ao menos três prédios vinculados aos crimes investigados.

Os acusados vão responder pelo crime de organização criminosa, lavagem de dinheiro, contravenção penal do jogo do bicho e extorsão mediante sequestro, cujas penas somadas ultrapassam 30 anos.

A operação

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), deflagrou operação Mantus para prender duas organizações criminosas.

Os investigadores cumpriram 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar, expedidos pelo juiz da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu.

As ordens judiciais foram cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande e em mais cinco cidades do interior do Estado. Um dos alvos foi preso no aeroporto de Guarulhos com apoio da Polícia Federal.

As investigações iniciaram em agosto de 2017, conseguindo descortinar duas organizações criminosas que comandam o jogo do bicho no Estado de Mato Grosso, e que movimentaram em um ano, apenas em contas bancárias, mais de R$ 20 milhões. Uma das organizações é liderada por João Arcanjo Ribeiro e seu genro Giovanni Zem Rodrigues, já a outra é liderada por Frederico Muller Coutinho.

João Arcanjo Ribeiro, conhecido como “Comendador”, é acusado de liderar o crime organizado em Mato Grosso, nas décadas de 80 e 90, sendo o maior “bicheiro” do Estado, além de estar envolvido com a sonegação de milhares de Reais em impostos, entre outros crimes.

No ano de 2002, Arcanjo foi alvo da operação da Polícia Federal, Arca de Noé, em que teve o mandado de prisão preventivo expedido pelos crimes de contravenção penal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e homicídio. A prisão do bicheiro foi cumprida em abril de 2003 no Uruguai. Arcanjo conseguiu a progressão de pena do regime fechado para o semiaberto em fevereiro de 2018, após 15 anos preso.

O empresário Frederico Müller Coutinho é um dos delatores da Operação Sodoma, que investigou fraudes que resultaram na prisão do ex-governador Silval Barbosa. Müller trocava cheques no esquema e chegou a passar dinheiro para o então braço direito do ex-governador. Os cheques teriam sido emitidos como parte de um suposto acordo de pagamento de propina ao grupo político do ex-governador.











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