22.12.2010 | 22h03


POLÍCIA

Polícia investiga crime político em morte de dirigente partidário; WS deve ser intimado

JOSÉ RIBAMAR TRINDADE

O ex-prefeito Wilson Santos (PSDB) já foi convidado a comparecer duas vezes à Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa de Cuiabá para ser ouvido sobre a morte do ex-dirigente partidário Arkibaldo Junqueira. Mas em nenhuma delas compareceu. Depois de Santos, a DHPP também vai convidar o atual prefeito de Cuiabá, Chico Galindo (PTB). A morte de Arkibaldo pode estar envolvida com obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A Polícia não fala sobre as investigações.

Caso Wilson Santos continue se recusando a comparecer à Polícia como convidado, será intimado oficialmente. O mesmo procedimento será adotado em relação a Galindo, segundo fontes da Polícia. Santos e Galindo podem ajudar a Polícia a desvendar o mistério da execução por encomenda do empresário e político.

Arkibaldo Junqueira dos Santos, era presidente do Partido Republicano Progressista (PRP). Ele foi assassinado, aos 52 anos, às 7 horas, do dia 22 de outubro de 2009. A Polícia suspeita de um crime político, mas não se pronuncia sobre as investigações.

O caso está sendo investigado pela delegada Sílvia Pauluzi, presidente do inquérito em conjunto com o delegado Márcio Pieroni, titular da DHPP. Os dois policiais responsáveis pelas investigações da morte de Arkibaldo, no entanto, estão em férias.

Wilson Santos deveria ter sido chamado antes, mas a polícia decidiu esperar para evitar conotações desnecessárias no campo político-eleitoral. Santos foi candidato a governador.

Nas investigações, segundo se apurou, a polícia detectou indícios de que Arkibaldo pode ter sido vítima de um crime político. Uma das linhas de investigações da DHPP seria o envolvimento de Arkibaldo com recursos do PAC. O político seria um dos principais fornecedores de produtos químicos para tratamento de água para a Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap).

O empresário e presidente do Partido Republicano Progressista (PRP) foi executado no bairro Poção, em Cuiabá com seis tiros, supostamente disparados por pistoleiros. O político e empresário tinha acabado de entrar no interior da sua empresa, a "Mille Huma", que vende produtos para tratamento de água, quando foi alvejado. No local, funcionava também a sede do partido.

O crime, segundo os primeiros levantamentos de investigadores da Delegacia de Homicídio e Proteção a Pessoa (DHPP) aconteceu por volta das sete horas. O crime foi presenciado por alunos de uma escola localizada em frente ao local da execução.

Segundo testemunhas, Arkibaldo chegou ao local em um Ford EcoSport. Duas pessoas estavam próximo ao local em uma motocicleta. A 200 metros está localizada a então sede da Delegacia de Homicídios. A delegada Ana Pauluzi iniciou as investigações ainda no local do crime.

Arkibaldo, segundo ficou constatado, era dirigente político há vários anos. Ele foi inclusive presidente do extinto Partido da Frente Liberal, o PFL, em Cuiabá, que foi uma das maiores siglas partidárias do Estado.

O empresário executado, segundo a Polícia por dois pistoleiros vistos deixando o local e subindo em uma moto. Ou seja, em um crime encomendado, também foi presidente da Associação de Moradores do Bairro Coophamil. Junqueira chegou a disputar eleição para vereador em Cuiabá e estava há pouco tempo no PRP.

Sua última aparição partidária se deu no caso envolvendo a prisão da vereadora Regiane Rodrigues de Freitas, de Colíder, presa na Operação "Tribuna do Pó", acusada de financiar o tráfico de drogas na região Norte do Estado. Arquibaldo Junqueira chegou a admitir a possibilidade de expulsão da vereadora da sigla.

Na época, o então presidente da Assembléia Legislativa, deputado José Riva (PP), presidente da Assembléia Legislativa, comunicou o caso da tribuna do Legislativo, durante sessão. Ele lamentou o ocorrido. A filha de Arquibaldo, Fernanda, trabalhava como secretária de Riva.

"É lamentável que as pessoas ainda cometam esse tipo de crime brutal. Estou com a alma doída e muito triste. Desejo que a família, em especial a Fernanda, tenha forças e conforto nesse momento", disse.

A reportagem tentou contato com a família de Arkibaldo, que na época tinha empresa de negócios na Rua Papa João 23, no bairro Poção, local onde o político foi assassinato, mas não conseguiu. O prédio está alugado para outras empresas e a família, com medo e traumatizada, se mudou para outro Estado.











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