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06.07.2010 | 10h21


POLÍCIA

Piloto sequestrado já está em casa, na Capital; avião foi levado por traficantes



O piloto Cleymer de Sousa Portela, 63, passou quase 60 horas nas mãos de sequestradores e foi abandonado na Bolívia, na noite de domingo, na casa onde era mantido em cativeiro, próximo a San José dos Chiquitos. Para a Polícia, o roubo foi feito por narcotraficantes. Já a locação do avião foi intermediada pelo advogado criminalista Zoroastro Teixeira.

Emocionado e muito abalado, o comandante chegou na tarde de ontem em Cuiabá, após longo período de ameaças, agressão verbal e tortura psicológica. Ele foi sequestrado no início da tarde de sexta-feira e resgatado em Corumbá pelo empresário e dono da empresa Abelha Táxi Aéreo, Hélio Vicente.

O empresário contou que houve uma ligação de um advogado muito conhecido (Zoroastro) para que buscasse outro advogado de uma família de Pontes e Lacerda, em Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá). O destino seria Cuiabá, mas o passageiro decidiu ir até Cáceres. Com 50 minutos de voo e uma arma encostada no piloto, foi anunciado que faria uma outra rota, chegando em uma pista clandestina no país vizinho, onde foi recebido por 5 bolivianos armados e logo uma caminhonete com outras pessoas. "Recolheram o avião próximo a uma casa e daí começou o massacre psicológico e a todo momento Portela achou que não iria ficar vivo, naquele lugar ermo", disse Vicente.

Segundo o empresário, os criminosos foram claros que o roubo foi para o tráfico, mas eles esperavam outra aeronave. Queriam um monomotor Cessna 206.

O valor da locação ficou em R$ 2,8 mil. Quantia irrisória para o empresário, uma vez que o avião roubado, um bimotor Sêneca II, de ano 1979, está avaliado em R$ 380 mil a R$ 400 mil. "Eu vou cancelar o transporte de valores. O medo está tomando conta do nosso convívio. Farei como outros colegas que já deixaram de atender alguns serviços".

Portela seria levado com os sequestradores mas, por sorte, o carro não funcionou e resolveram deixá-lo. Foi quando o piloto saiu, na noite de domingo, e pegou uma carona até San José dos Chiquitos, lugar onde fez contato com a empresa e informou o que tinha ocorrido. Logo foi orientado que pegasse uma condução até Corumbá. Ele desembarcou em Cuiabá às 17h10 de ontem.

Quanto a locação do avião, o advogado Zoroasto disse que uma pessoa que se identificou como Jorge e advogado civil de Pontes e Lacerda teria entrado em contato pedindo um advogado criminalista. Ele teria dito que precisava transportar um cliente de Rondonópolis até Cáceres, onde residia os pais do mesmo, porque temia ser preso por atirar contra uma outra pessoa. "Eu disse que não iria fazer essa função, de levar preso nenhum. Eu precisava indicar um avião e passei o telefone da Abelha, que é a empresa que eu conheço há muitos anos, e passei o contato desse Jorge para a Abelha também".

Zoroastro afirma que a intenção foi de mandar um cliente para a empresa aérea. No entanto, quando ligou para o dono para saber se tinha dado tudo certo, ficou sabendo que o piloto tinha desaparecido. "E eu também fiquei preocupado e por isso liguei para um amigo advogado para checar sobre esse tal Jorge e constatei que ele não existia. Foi quando informei o Hélio e, no dia seguinte, fui até a Polícia Federal".

O dono da empresa Abelha também teria informado a PF o fato e ao Departamento de Aviação Civil. O avião continua desaparecido.

Segundo o comandante do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), coronel Mário Ibanêz, esse mecanismo do narcotráfico, de roubo de aviões, não é novo no Brasil e eles devem intensificar. "Acontece que quando uma porta se fecha eles procuram abrir outra. Se está difícil ir por terra e por água, a alternativa é seguir pelo ar".

Ele afirma que as Polícias estão "blindando" as fronteiras do Estado com a Bolívia com barreiras fixas e patrulhamento volante.











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