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26.10.2010 | 10h58


POLÍCIA

Metade dos bairros da Capital estão sem abastecimento de água

Caroline Lanhi e Caroline Rodrigues 
Da Redação

Cinquenta por cento dos bairros de Cuiabá estão sem abastecimento de água e o problema, que começou na madrugada de domingo, deve se estender até sexta-feira (29). A Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap) alega que uma queda de energia afetou a principal fonte captadora de água, que fica no bairro Ribeirão do Lipa. Os motores, de acordo com a Sanecap, não funcionaram durante a madrugada de domingo.

O abastecimento de energia ficou suspenso por 10 horas na Estação de Tratamento de Água 2, também chamada de São Sebastião, responsável por fornecer água a 116 bairros. O sistema deixou de captar e tratar 180 milhões de litros de água. Por isso, segundo o diretor técnico da Sanecap, Álvaro Gonçalves, serão necessários 4 dias para o fornecimento voltar ao normal.

O diretor afirma que o incidente aconteceu por interrupção do fornecimento de energia elétrica por parte da Centrais Elétricas Matogrossenses (Cemat), das 23h30 do sábado até às 10h do domingo. Entretanto, admite que aconteceram falhas nos geradores que deveriam ter funcionado durante a baixa de energia.

"Temos geradores automáticos, mas eles não entraram em operação por problemas técnicos. Mas agora já estão aptos a funcionar".

Em 6 meses, esse é o terceiro grande problema de interrupção no abastecimento de água da Capital e, nas 3 ocasiões, a Sanecap aponta que foram gerados por falhas técnicas relacionadas à energia elétrica. O primeiro aconteceu em abril com rompimento da subadutora da ETA 2, que comprometeu 20% do abastecimento e deixou 15 bairros sem água. Em setembro, o estrago foi maior, pois adutoras tanto da ETA São Sebastião quanto do Tijucal estouraram.

As irregularidades e a má qualidade no fornecimento de água na Capital se arrastam há meses e já contam com denúncias de especialistas, bem como uma investigação da Secretaria de Fiscalização de Obras (Secob), do Tribunal de Contas da União, que analisa a falta de qualidade nos materiais utilizados na ETA do Tijucal.

Enquanto isso, no Poder Judiciário, uma ação proposta pelo Ministério Público Estadual (MPE) tramita na Vara Especializada de Ação Civil Pública e Ação Popular. A ação visa obrigar a Prefeitura a prestar o serviço de forma regular a todos os bairros. A última informação sobre o processo é que o juiz Luis Aparecido Bertolucci Júnior entendeu que para analisar o pedido de liminar precisaria ouvir a prefeitura. A ação está há 3 meses sem decisão.

Segundo a Fiscalização Preventiva Integrada (FPI), realizada pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT), as ETAs de Cuiabá apresentam problemas estruturais e necessitam de manutenção e diversos reparos, como na moto-bomba, nos registros, nas boias automáticas, caixas de inspeção e outros.

População - O problema desta semana é apenas mais um agravante para a população de Cuiabá. O aposentado Abel Martins da Silva, 78, está há mais de 1 ano sem utilizar o banheiro da casa dele, no bairro CPA 4. Ele conta que a água é rara e quando chega consegue abastecer apenas os reservatórios do chão porque não há pressão suficiente para atender a caixa d"água do interior do imóvel.

Com a quebra dos motores das estações de captação e tratamento de água, a situação tende a piorar e já preocupa o aposentado. A vizinha dele, a comerciante Maria José, 45, fez alguns investimentos para minimizar o impacto da falta de fornecimento. Ela comprou reservatórios, que são instalados no chão, e instalou bombas, que mandam o água para a caixa interna.

Maria José relata que a região ficou mais de 10 dias sem nenhum abastecimento. As famílias que têm crianças pequenas ficam desesperadas e precisam sair de porta em porta pedindo a doação de um pouco de água para garantir a alimentação e as atividades domésticas essenciais.

O bairro Praeiro também está na lista de comunidades afetadas pelo problema na estação de captação e tratamento do Ribeirão do Lipa. A professora de artesanato Romilda Ferreira Silva, 45, afirma que vigia as torneiras todos os dias. Quando ela percebe que tem água, corre para pegar os baldes e panelas.

A moradora apara o líquido com os recipientes e depois o leva até uma manilha de concreto, que é usada como reservatório. A escassez traz muitas dificuldades para a mulher, que estava com um idoso doente em casa.

Ele era dependente e a irmã de Romilda, que mora a 4 quarteirões, levava água em baldes na hora do banho. Para fazer a comida, os parentes investiam em garrafões de água mineral.

A dona de casa, Maria Divina Mendes, 43, diz que a falta de água impede até a educação dos filhos. Ela mora na frente da Escola Municipal Hélio de Souza Vieira e alega que os alunos costumam ser liberados devido à falta de abastecimento.

Quando a comunidade fica mais de 4 dias sem água, ela é obrigada a comprar caminhões pipa. Maria perdeu a conta do dinheiro gasto. Além dos caminhões, a família também passou a usar garrafões para encher as garrafas na geladeira e fazer comida.

Outro lado - Em nota, a Cemat informou que as interrupções de energia que afetaram as instalações da Sanecap na noite de sábado, 23 de outubro, na fonte captadora do Ribeirão do Lipa, em Cuiabá, foram provocadas por um defeito em um dos alimentadores da Subestação Cidade Alta, que abastece a região. "As equipes da Cemat trabalharam ao longo da noite para solucionar o problema, e a situação foi completamente normalizada na madrugada de domingo", diz a nota.












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