02.10.2010 | 18h39


Menina de três anos sofre afogamento e abuso sexual; estado é grave

Gazeta

Vítima de afogamento e suposta violência sexual, a pequena J.H.S., 3, está internada em estado grave na Unidade Intensiva de Tratamento (UTI) do Pronto-Socorro de Várzea Grande, onde chegou sozinha com parada cardiorrespiratória levada por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), às 16h50 de quinta-feira. A denúncia de abuso sexual foi feita pela equipe médica que atendeu a criança e é investigada pela delegada Juliana Chiquito Palhares, da Delegacia das Mulheres.

A mãe da menina contou ao Conselho Tutelar que almoçava na casa de uma amiga no bairro Ouro Fino e a filha saiu da sala falando que levaria o prato para a pia. Tempo depois, sem saber precisar em minutos, uma menina de 10 anos gritou, alertando para o afogamento de J.H.S. Foi a mesma criança de 10 anos quem retirou a vítima da piscina e pediu socorro aos adultos que estavam na casa.

A conselheira tutelar Patrícia Débora Barcelos foi acionada e fez o primeiro atendimento no PS, onde foi informada da possibilidade do abuso sexual. Ela conta que a equipe médica que atendeu J.H.S. viu sangue na fralda no momento que passariam a sonda na uretra. Uma enfermeira do Pronto-Socorro conta que achou estranho haver sangue na vagina e ao examinar o corpo da menina verificou que existia ainda indícios de laceração vaginal e anal.

Um médico pediatra foi chamado e concordou com a possibilidade do abuso sexual. Porém, a conselheira tutelar Adeilce Machado dos Santos voltou ao Pronto-Socorro ontem pela manhã e foi informada por uma médica que a suposta lesão não existe e trata-se de uma possível reação do corpo humano durante o processo de parada cardiorrespiratória. Conforme a médica explicou à conselheira, nessas situações ocorre o relaxamento do esfíncter, que pode ter confundido a equipe de saúde que atendeu inicialmente J.H.S. A criança teve duas paradas cardíacas.

Para Adeilce e Patrícia existem muitos pontos da história contada pela família que não se encaixam. Patrícia afirma que ficou surpresa com o fato da criança ser levada sozinha ao PS e a mãe chegar somente depois. Ela destaca ainda que questionou a mulher se havia algum homem na casa no momento do afogamento e foi informada que não. Somente depois que a criança já havia afogado, conforme relatos da mãe à conselheira, o namorado da amiga chegou e por orientação do Samu fez respiração boca a boca na criança. "Ela estava muito nervosa e chorava bastante. A Polícia achou a história estranha e encaminhou todos para o Cisc (Centro Integrado de Segurança e Cidadania) do Parque do Lago".

Adeilce comenta que na manhã de ontem não havia ninguém da família no hospital, situação incomum nesses casos. Ela destaca que vai visitar a família e ver as condições de sobrevivência da criança, bem como avaliar a possibilidade de ter havido o abuso.

Investigação - A delegada Juliana já informou uma equipe de peritos do Instituto Médico Legal (IML) para examinar J.H.S. e emitir o laudo que apontará se houve realmente lesões compatíveis ao abuso sexual.

O documento deve ficar pronto na próxima semana, conforme expectativa de Juliana. "Somente o laudo poderá esclarecer essa dúvida".

A delegada explica que precisa ficar claro que as opiniões médicas dentro do Pronto-Socorro foram distintas.

A casa onde ocorreu o afogamento passará por perícia que já foi solicitada pela delegada. Ela comenta que além de investigar o abuso sexual, vai apurar as circunstâncias que levaram ao afogamento. A mãe da criança, a dona da casa onde ocorreu o acidente e o rapaz que ajudou a socorrer serão intimados para prestar depoimento na próxima semana.











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