09.09.2019 | 15h14


VENENO PARA RATOS

Madrastra usou pesticida para matar enteada e ficar com herança

O Carbofurando tem venda é proibida no Brasil, mas o pesticida pode ser encontrado no mercado negro; Madrasta usava pequenas doses diariamente para envenenar a enteada


DA REDAÇÃO

Análise pericial identificou que Jaira Gonçalves de Arruda, 42 anos, usou o pesticida Carbofurano para matar  a enteada Mirella Poliane Chue de Oliveira, 11 anos. O veneno era diluído em alimentos, em pequenas quantidades, num período de dois meses.

Jaira foi presa na manhã desta segunda-feira (09), por investigadores da Delegacia especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. A intenção da madrasta era ficar com uma herança de R$ 800 mil, decorrente de uma ação judicial vencida pela família da garota, contra um hospital, após morte da mãe da vítima durante o parto.

“Quem cuidava e alimentava a vítima era a madrasta e havia uma restrição para que outras pessoas se aproximassem dela no período em que ela ficou doente. O exame toxicológico comprovou que o envenenamento foi ocasionado por um pesticida, que hoje a venda é proibida no Brasil, mas que se consegue comprar no mercado negro”, afirmou o delegado Wagner Bassi.

Conforme apurado, o mesmo pesticida também é usado para matar ratos envenenados.

Não há indícios, segundo os investigadores, de que o pai sabia do crime, no entanto, ele é investigado.

RepórterMT

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Carbofurano também é usado para matar ratos e tem venda proibida no Brasil.

A morte 

No dia 14 de junho de 2019, a vítima Mirella Poliane Chue de Oliveira morreu de causa até então indeterminada. A vítima deu entrada em um  hospital particular, já em óbito. Inicialmente houve suspeita de meningite, bem como de abuso sexual, pois, havia inchaço na genitália, mas depois foi descartado o abuso durante a necropsia do Instituto de Medicina Legal (IML), da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

A Politec colheu materiais para exames complementares. Nos exames realizados pelo Laboratório Forense, mediante Pesquisa Toxicológica Geral, foram detectados no sangue da vítima duas substâncias, uma delas veneno que provoca intoxicação crônica ou aguda e a morte.

"Essa substância não é encontrada em medicamentos, portanto, sua ingestão por humanos somente pode ocorrer de forma criminosa. Os sintomas da sua ingestão são: visão borrada, tosse, vômito, cólica, diarreia, tremores, confusão mental, convulsões, etc.", explicaram os delegados Francisco Kunze e Wagner Bassi.

Todas as vezes que a menina passava mal era socorrida e levada ao hospital, lá ficava internada 3 a 7 sete dias e melhorava, em razão de ter cessado a administração do veneno. Mas ao retornar para casa, voltava a adoecer novamente. O sofrimento durou cerca de dois meses, em que a menina ficou internada por nove vezes em hospitais particulares.











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