13.10.2010 | 09h57


POLÍCIA

Lixo, esgoto a céu aberto e buracos se tornam a paisagem da Capital

Caroline Rodrigues
Da Redação

Buracos nas ruas, bueiros sem tampa e boca de lobo entupidas são os principais problemas das ruas de Cuiabá. A carência de investimentos é visível nos bairros, onde há possibilidade das vias ficarem intransitáveis com ao aumento das chuvas, previsto para o próximo mês. As poucas precipitações, dos últimos 15 dias, já trouxeram alguns obstáculos e apontam para um possível caos na infraestrutura da cidade.

A avenida B, no bairro Jardim Florianópolis, é um exemplo da falta de estrutura. A via é uma das poucas pavimentadas na comunidade e está repleta de buracos e apresenta acúmulo de areia nas proximidades do meio-fio. Os pontos críticos estão nos cruzamentos.

O tapeceiro Pedro Luis Gonçalves explica que a avenida está na parte baixa e recebe entulho e esgoto das ruas paralelas. As bocas de lobo, destinadas ao escoamento, ficam entupidas pela areia, que também forma uma cobertura na pista.

Os moradores precisam pegar pá e carrinho de mão para recolher os entulhos e liberar a avenida para o tráfego. Os carros pequenos e motos precisam andar por caminhos alternativos quando chove e a travessia é possível somente a pé.

Quando a força da água é intensa, as calçadas chegam a ficar ocas, porque a base é levada na enxurrada. Alguns imóveis chegam a ficar comprometidos.

Nos últimos anos, foram realizadas operações tapa-buraco, mas a massa asfáltica não suporta muito tempo e o buraco volta a aparecer. O resultado do serviço paliativo pode ser observado na irregularidade do pavimento.

No bairro Jardim Vitória, as ruas estão cheias de valas, devido à água. O segurança Elizeu Santos, 71, relata que nem o caminhão de lixo consegue entrar nas ruas no período chuvoso e poucos investimentos foram feitos na comunidade para evitar o caos.

Ele afirma que existe um problema crônico no sistema de esgoto da rua principal e a chuva leva a água suja para as ruas adjacentes. "Tínhamos promessa de melhoria no período de estiagem, mas nada foi feito".

No bairro Santa Amália, a rua Professora Neuza Rodrigues, principal da comunidade, está com 3 bueiros sem tampa e todas as bocas de lobo entupidas. A educadora Eunice Botelho, 30, diz que teme o período de chuvas. Nas últimas precipitações, a água, sem ter local para escoar, invadiu o terreno e chegou perto da área da casa.

Quanto aos bueiros, ela relata que estão sem tampa há mais de 2 anos. Vários acidentes já aconteceram no local e alguns carros passam sobre a calçada para evitar o prejuízo, colocando a vida dos pedestres em risco.

As demais ruas do bairro também estão em situação crítica devido aos buracos. O jardineiro Antônio Ferraz, 68, mora na rua Projetada 7 e conta que os vizinhos não conseguem colocar os carros dentro de casa no período chuvoso. As crateras ficam cobertas por lama e algumas são grandes e ocupam toda a entrada da garagem.

O jardineiro afirma que o problema foi intensificado nos últimos 2 anos com as obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). As valas foram abertas para colocar tubulação de captação de esgoto e a empresa que fez a cobertura, não teve cuidado com a compactação do solo, que cedeu.

Sem pavimento - A dona de casa Ruth da Silva Rocha, 30, diz que nos dias de chuva, não dorme à noite. A rua dela não tem pavimento e está sempre com lama, devido a vazamentos da rede de água.

As bocas de lobo estão entupidas. Então, a água escorre direto para dentro dos terrenos. Ela tem medo da enxurrada invadir a casa e pegar ela e as filhas de surpresa, como aconteceu na vizinha.

Os bairros Jardim Umuarama, Jardim Vitória, Parque Geórgia, Itapajé, entre outros, passam pela mesma situação.

Sanecap - Para agravar ainda mais o cenário, as manutenções do sistema de abastecimento de água resultam em buracos, que não são tapados pela Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap). Na rua J, no bairro Araés, os moradores revoltados colocaram uma placa, na qual escreveram "Sebosidade da Sanecap".

Apenas na frente da casa do aposentado Newton Bezerra, 82, existem 2 buracos, sendo que 1 deles foi aberto ontem. Os técnicos da Sanecap estavam trabalhando no local e nenhum deles usava os equipamentos de proteção individual (EPI). Um dos trabalhadores estava descalço e de bermuda no interior da vala.

As árvores precisaram ser retiradas da calçada para o conserto da tubulação, que foi instalada há 30 anos e desde então recebe intervenções emergenciais.

Conforme o morador do bairro Araés, toda semana os caminhões da Sanecap estão em um ponto da comunidade. Na casa dele, é a segunda intervenção em menos de 15 dias. A tubulação é de amianto e está se dissolvendo como um papel. A partir de 1995, os canos são de PVC e ferro, porque pesquisas mostram que o material (amianto) é prejudicial à saúde.

O resultado do trabalho de manutenção dos tubos são os buracos, que ficaram cheios de lama após as chuvas.

Outro lado - O secretário de Infraestrutura, Euclides Santos, afirma que as equipes trabalham conforme uma programação e vão continuar a seguir o planejamento. Os bairros, segundo o secretário, que recebem os serviços, tem a limpeza urbana, bem como operações de tapa-buracos realizadas.

O secretário também argumenta que a Prefeitura busca parcerias para fazer as obras de drenagem pluvial e asfaltamento na cidade.

Santos garante que a prioridade são as avenidas principais, principalmente as utilizadas como linhas de ônibus.

A reportagem tentou contato com a Sanecap, mas ontem foi decretado ponto facultativo. Os técnicos da companhia também foram procurados por telefones celular, mas não atenderam as ligações.

 

com Gazeta











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