alexametrics
29.10.2010 | 11h10


POLÍCIA

Justiça solta jovens acusados de extorção em Rondonópolis

MAYARA MICHELS
DA REDAÇÃO

A Justiça soltou, na noite de quinta-feira (28), os dois rapazes acusados de extorsão em uma casa lotérica de Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá). O Ministério Público não encontrou elementos suficientes para denunciar Rilly Barbosa Escarião, 20, e o Natalino Silva Mendes, 24, que ficaram presos, há 17 dias, na Penitencária de Mata Grande. As investigações, no entanto, vão continuar.

Na saída do presídio, aguardavam ansiosos os familiares dos dois rapazes. A pós a liberação deles, os jovens se ajoelharam e agradeceram pela liberdade, logo os familiares não resistiram e correram para abraçar os garotos.

"Foram 17 dias de muito sofrimento, muita tensão, um sentimento de injustiça que nunca havia sentido antes. Foi horrível, só pensávamos em sair daquele lugar", afirmou Natalino Mendes.

Segundo o advogado dos rapazes, Carlos Eduardo Vanzele, a primeira parte foi finalizada; agora, o que importa é comprovar a inocência dos acusados. "O inquérito ainda está em aberto. Vamos acompanhar e provar a inocência deles", afirmou o advogado.

"Até o momento, ainda não sabemos se vamos voltar a trabalhar no supermercado. Eles [os patrões] ainda não entraram em contato com a gente. O que, mas queremos é voltar a nossa vida de antes, na nossa batalha de estudar e trabalhar", afirmou Natalino, que, com Rilly, trabalhava no açougue de um supermercado.

Para o presidente da Ordem dos Advogados de Mato Grosso, Claudio Stábile, esse é um caso que provoca uma grande indignação e até preocupação. "Porque quando se vê dois trabalhadores com carteira assinada sem qualquer antecedente ser preso, serem acusados de um fato muito grave, sem que exista uma apuração, uma investigação sem os direitos de defesa... Tudo isso é uma violação dos direitos fundamentais da pessoa", afirmou Stábile, em entrevista à TV Centro América (Globo/4).

Entenda o caso

Há 18 dias, uma operadora de caixa contou à Polícia que um homem ligou para a lotérica e ordenou que ela depositasse R$ 9 mil em nove contas diferentes. Segundo o depoimento da funcionária, o homem teria dito que tinha dois comparsas na fila de atendimento e que eles poderiam atirar e matar todo mundo.

Segundo o dono da casa lotérica, José Luiz Ferreira, a funcionária ficou apavorada, sem saber o que fazer. "Porém, eu tenho dúvidas do envolvimento dos dois rapazes no crime. Me sinto mal se realmente eles forem inocentes, por estarem pagando por uma coisa que não fizeram", afirmou Ferreira, em entrevista na TVCA, na semana passada.

Segundo Natalino Mendes, os dois esperaram cerca de 20 minutos na fila. "Como não fomos atendidos, resolvemos desistir da operação porque já era o horário de bater o ponto no supermercado em que trabalhamos", disse.

Segundo as investigações, a ligação telefônica ocorreu às 14h15 e, às 14h26, o dois funcionários registraram o ponto e começaram a trabalhar no supermercado. Horas depois, tiveram voz de prisão e foram presos em flagrante.

"Apesar de o lugar ser horrível, os presos acusados de assassinatos, roubo e tráfico foram muito compreensivos com a gente e nos respeitaram muito. Em alguns momentos, eles até nos defendiam, por saber da nossa inocência", contou Natalino.











COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.

TV REPÓRTER

INFORME PUBLICITÁRIO

Bebe Prime