30.09.2010 | 10h28


POLÍCIA

Gangues dominam escolas na Grande Cuiabá; 31 já foram mapeadas

SILVANA RIBAS
A GAZETA

Trinta e uma gangues que atuam fora e dentro das unidades escolares na Grande Cuiabá foram mapeadas em um trabalho desenvolvido nos últimos 4 meses pela Polícia Civil. Os líderes destes grupos promovem o aliciamento dos estudantes oferecendo "segurança" para seus membros e a oportunidade de ingressarem na vida criminal, além de festas regadas a drogas, álcool e sexo com adolescentes.

As investigações mostram ainda a existência de uma lei própria, intitulada: "Os 10 mandamentos das Gangues", que rege o comportamento dos grupos. O levantamento faz parte do "Programa Escolar DEA", da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), baseado em visitas as unidades escolares e realização de palestras preventivas buscando conter a violência dentro e no entorno das escolas.

A proposta, segundo o delegado Paulo Alberto Araújo, é levantar subsídios para operações específicas a partir do próximo ano e preparar a comunidade escolar para atuar em relação a estes grupos que ocupam as escolas, independente da classe social.

Segundo o delegado, titular da DEA, a ação policial quer reforçar a rede de atendimento aos adolescentes para que estes estudantes "mantenham o vínculo escolar e tenham um desenvolvimento humano positivo". O cotidiano da delegacia tem mostrado que enquanto o membro de gangue está inserido na comunidade escolar os atos praticados por ele são de menor potencial ofensivo, como pequenos furtos (principalmente celulares), ameaças e agressões.

Já para os que reforçam os índices da evasão escolar, o envolvimento em roubo, tráfico de drogas, porte de arma de fogo, assassinatos e latrocínios (roubo seguido de morte) são mais frequentes.

Araújo lembra que o objetivo do programa é, com a preparação e apoio da comunidade escolar, agir preventivamente. Em quatro meses já foram 18 palestras da equipe multidisciplinar da delegacia (policiais, professora, assistente social e psicóloga), levada a professores, dirigentes e funcionários das escolas, além de alunos, pais e responsáveis. O tema é o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Comportamento Humano.

A meta é levar ao conhecimento destes profissionais da educação a responsabilidade em informar ao Conselho Tutelar as infrações registradas na escola. Caso isto não seja feito, existe uma pena administrativa que pode variar de 3 a 20 salários mínimos.

Aos pais, quando deixarem de fazer o acompanhamento do filho na vida escolar, a pena por crime de abandono material e intelectual também pode chegar a 2 anos de detenção.











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