28.12.2010 | 14h42


CIDADES

Pecuarista que deu tiros na Praça Popular tem regalias na prisão

DHIEGO MAIA
DIÁRIO DE CUIABÁ

Notebook e celulares à disposição de um preso sob custódia do sistema prisional do Estado. Esta irregularidade perdurou por 11 dias no hospital Jardim Cuiabá, período de internação do pecuarista José Carlos de Souza Júnior, 25 anos, que fraturou o braço direito após trocar ticos com um PM na praça Popular, na capital. Um dos disparos chegou a atingir de raspão a cabeça de um homem que estava com amigos no local.

Ontem, a irregularidade foi constatada logo cedo pela agente prisional que faz a escolta do preso. Sem querer se identificar, a agente disse que exigiu que os aparelhos fossem retirados do quarto, mas não foi atendida. Ela comunicou o fato ao diretor da Penitenciária Central do Estado, que apreendeu os aparelhos e os encaminhou à polícia. Mais à tarde, o preso pediu novamente a familiares outro aparelho celular. Dois boletins de ocorrência registraram os fatos, que serão investigados.

À reportagem, a agente reclamou da situação e disse que o caso exige uma escolta policial. Segundo ela, o pecuarista está em plenas condições físicas de fugir e o hospital oferece várias opções de acesso. Desarmada, ela acredita que foi desrespeitada.

Ela permaneceu sozinha no hospital das 10h15 até às 18h15 de ontem. Depois de oito horas, dois PMs chegaram à unidade para interromper o acesso ao preso de pessoas e aparelhos de comunicação. Eles vão permanecer na unidade até a liberação do preso. Também sem querer se identificar, um dos PMs disse que foi chamado porque o preso "estava recebendo visitas e tendo muita regalia", afirmou.

A reportagem teve acesso ao prontuário clínico de José e constatou que o pecuarista está apenas sob administração de antibióticos e mostra-se apto a receber alta, segundo enfermeiras ouvidas ontem.

Outro lado

A irregularidade aconteceu justamente quando o Sistema Prisional quer transferir a responsabilidade das escoltas de presos para os agentes prisionais. O superintendente de Gestão Penitenciária, coronel José Antônio Gomes Chaves, reconheceu a fragilidade do sistema de escoltas e disse que em casos com excessos, se "monta um aparato policial".

Ele disse que a situação vai melhorar quando todos os agentes forem submetidos a cursos de capacitação para permitir que usem arma de fogo durante o trabalho. Ele afirmou que o caso não configura uma regalia, já que, segundo ele, todas as medidas foram tomadas para barrar a irregularidade

 











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