11.11.2010 | 13h41


POLÍCIA

Fiscalização, educação e engenharia de tráfego reduziriam violência

GAZETA

Especialista em Engenharia do Tráfego, Luiz Miguel de Miranda acredita que o radar eletrônico é uma das principais soluções para a redução dos acidentes e mortes em Cuiabá. Mas não a única. Ele destaca também mudanças na engenharia da cidade e investimento em educação como o tripé para a redução das constantes vítimas no trânsito. Dados da Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte Urbano (SMTU) apontam que avançar o sinal vermelho é a terceira infração mais realizada na Capital, com 2.663 multas, atrás da falta do uso do cinto de segurança e utilização do telefone celular.

Miranda, que é professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), afirma que houve redução em 40% dos atendimentos hospitalares em municípios do interior de São Paulo onde existem radares. "Traumatologias nos prontos-socorros diminuem bastante".

O trabalho em "engenharia" seria, principalmente, investimento no transporte público coletivo e a criação de alternativas para meios de transporte menos poluentes, como as ciclovias. "Cuiabá não aguenta essa enchente de veículos que está tendo".

Depois desse ponto, na opinião do especialista, deve-se desenvolver o "policiamento", que é o projeto com os radares. E, em seguida, a "educação no trânsito", que teria efeito em "3 gerações". "Quem atravessa o sinal vermelho não é contribuinte, é infrator", respondeu o professor sobre a possível oneração dos cuiabanos que já pagam impostos.

A desempregada Lindinalva de Jesus da Silva, 29, também é favorável à implementação dos radares ou qualquer outro sistema que penalize financeiramente o infrator. Ela conta que o marido está internado depois de sofrer um acidente no trânsito. "Um carro fechou ele, que estava pilotando a moto. Se tivesse o radar, eu creio que não ia acontecer isso".

Outro A favor é o motorista Júlio Soares, 58, que cita o exemplo da avenida Miguel Sutil como via que necessita de um radar para redução da velocidade. Entretanto, Júlio acredita que a Prefeitura de Cuiabá precisa saber escolher "com cuidado" os pontos para a implantação. "Na avenida do CPA (Historiador Rubens de Mendonça), depois do viaduto da Miguel Sutil, não precisa de radar. É um semáforo próximo do outro".

Contrários - O deputado estadual Sérgio Ricardo (PR) encabeça a lista dos contrários à implantação dos radares. Ele acredita que existam outras formas de reduzir a violência no trânsito, por exemplo, a criação de quebra-molas, que, para o deputado, têm o mesmo efeito de diminuição da velocidade.

Na opinião dele, ao invés de punir financeiramente o condutor, deve-se criar mecanismos para "descontar pontos" da carteira nacional de habilitação (CNH). "Até a perda da carteira por um ano e, durante esse tempo, ele (motorista) voltar para a autoescola".

Assim como o especialista, o deputado acredita que o motorista deve receber uma educação no trânsito. "Se colocar radar em, por exemplo, 3 pontos de uma avenida, o motorista só vai andar direito nesses lugares. Agora, se ele estiver conscientizado, vai dirigir corretamente a via toda".

O contador Rodrigo Ramos, 30, se diz contrário aos radares porque, para ele, "é um modo de ganhar dinheiro". "Não resulta em nada. Não adianta. Só vai diminuir (a violência) por meio de campanha de educação".

Os taxistas e mototaxistas também fazem "coro" contra os radares. Em seu ponto de táxi no centro da cidade, João Abílio da Silva, 51, é contrário ao sistema por "não ajudar as pessoas". "É só para arrumar briga com os outros. Tem que colocar "Amarelinho" (guarda de trânsito) na rua. Cadê o policiamento? Eles devem colocar mais semáforos".

O outro taxista Rui da Rosa, 58, se irrita ao citar o radar, defendendo que haverá uma "indústria da multa" no município. "Não precisamos de radar, mas de agentes de trânsito. A Polícia Militar do trânsito até agora nada".

Mais crítico, o operador de máquinas e mototaxista Getúlio Vaz de Mello, 49, afirma que o "pardalzinho" (sensor que mede velocidade) deve ser expurgado. "Tem que colocar quebra-mola em todo o lugar ou então contrata mais Amarelinho. Mas para que o Pardalzinho?".

Discussão - O presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Teodoro Moreira, em maio do ano passado em A Gazeta, publicou um artigo demonstrando que anualmente em Cuiabá um "Airbus" é derrubado, ou seja, em média 180 pessoas são mortas em acidentes de trânsito.

Questionado atualmente sobre o uso dos radares, Moreira reafirma que a fiscalização eletrônica é uma forma de reduzir a velocidade dos condutores, mas destacou que a instalação é de responsabilidade do município e, caso aplicada, o Detran dará apoio à medida.

O diretor de Trânsito da SMTU, Dativo Rodrigues, explicou que o projeto desenvolvido pela pasta está sendo analisado pela Procuradoria do município. "Com a aprovação vamos encaminhar para a Câmara (de Vereadores). Nós somos a única capital do Brasil que não tem radar e ele servirá para coibir o excesso de velocidade em locais onde não tem o fiscal humano", disse Rodrigues em relação aos agentes de trânsito.

Ele defende o aparelho ao explicar que, apesar da legislação brasileira permitir dirigir em até 60 quilômetros por hora na área urbana, os motoristas ultrapassam essa velocidade. "Não temos como saber quanto eles ultrapassam porque não temos radar".

Baseada em informações do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) dos últimos 3 anos, a SMTU apontou as avenidas Fernando Corrêa da Costa, CPA, Tenente Coronel Duarte (Prainha) e Isaac Póvoas como as que mais concentram acidentes. "O radar vai cobrir 2 faixas da pista. No caso da Fernando Corrêa, a intenção é colocar radar da altura do Colégio Master até a entrada do (bairro) Parque Cuiabá".

Na semana passada, o prefeito de Cuiabá, Chico Galindo, afirmou que vai lançar licitação para contratar uma empresa responsável pela instalação dos radares na Capital e que os equipamentos já serão realidade nas ruas no próximo ano.











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