31.08.2010 | 14h16


POLÍCIA

Esposa de PM pode ter sido cúmplice em morte de amante grávida

ADILSON ROSA
DIÁRIO DE CUIABÁ

O delegado Márcio Pieroni não descartou a hipótese do envolvimento da esposa do soldado da Rotam Claudemir Nunes Sales como cúmplice dele na execução da corretora de imóveis Ana Cristina Wommer. Ela foi morta na semana passada, aos 24 anos e grávida de oito meses.

O delegado se apóia na contradição entre os depoimentos dela e do marido. Citou o fato de, no dia 22, o domingo quando aconteceu o crime, a esposa do militar ter dito que foi almoçar com o marido na casa de parentes, no CPA. Sales, por sua vez, afirmou que esteve numa feijoada na casa de um amigo, identificado como Alessandro, no Ribeirão do Lipa, em Cuiabá.

"Ela (a esposa de Sales) se mostrou muito fria em seu depoimento e caiu em contradições. Sabemos que ele (Sales) não agiu sozinho. Teve um ou dois comparsas e até o final de semana vamos ter a confirmação", informou. Pieroni salientou acreditar que o PM não tenha confessado ainda o assassinato porque teria agido em companhia de cúmplices.

Para o delegado, a apreensão do carpete do porta-malas do Gol preto de placas AQR 1920, de São José dos Pinhais (PR), pertencente ao policial militar, é mais uma prova de que Ana Cristina foi colocada no veículo e jogada num terreno após o Distrito Industrial, na saída para Rondonópolis.

"Conversamos com a funcionária do lava-jato onde o carro foi lavado e ela nos confirmou o que já desconfiávamos: o carpete estava com muito sangue e havia muitos tufos de cabelo dentro do carro. O cheiro de sangue também era forte", frisou o delegado.

A funcionária disse que, no dia 23, por volta das 11 horas, quando o soldado Sales foi buscar o carro que tinha sido deixado horas antes para ser lavado, ele checou o porta-malas e reclamou que o carpete estava intacto.

"Ele (Sales) arrancou o carpete e, de uma forma ríspida, pediu para a funcionária que lavasse imediatamente. Ela, por sua vez, alegou que quando o cliente pede uma determinada limpeza específica, que retire o acessório", destacou o delegado.

Pieroni acrescentou que, com a confirmação de que Ana Cristina foi jogada no porta-malas do carro, as investigações tentam chegar até o local onde ela foi morta.

"Trata-se de um aborto ‘arrancado'. É isso que sabemos. Em seguida, a vítima foi colocada como um animal no porta-malas". A perícia no Gol havia confirmado a presença de sangue no estofado e também alguns cabelos. A apreensão do carpete trouxe mais indícios sobre a presença dos dois itens.

Ana Cristina foi vista pela última vez no dia 22 de manhã, após sair de sua casa, no bairro Tijucal, para se encontrar com o PM Sales com quem teve um relacionamento extraconjugal. A polícia pediu exame para se certificar que o bebê era do militar. Na terça-feira, o corpo dela com o feto foi localizado em estado de decomposição.











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