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25.08.2010 | 12h32


POLÍCIA

Delegado diz ter certeza que PM matou amante e vai pedir prisão preventiva



Depois de quase cinco horas de depoimentos, o delegado da Polícia Civil, Márcio Pieroni afirmou não ter dúvidas de que o soldado da Polícia Militar (PM) Claudenir de Souza Sales, que pertence a uma força especial da PM, a Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam), matou a jovem Ana Cristina Wommer de 24 anos. Ela seria amante do policial e estava grávida de oito meses. A mulher expeliu o bebê durante o crime e pode ter tomado substâncias abortivas, além de ter sido morta por asfixia.

O policial de 30 anos estava há seis anos na PM e, segundo o comandante geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Osmar Lino Farias, Claudenir era um bom policial e não havia cometido até hoje nenhum ato de indisciplina. O PM suspeito do crime prestou depoimento durante toda a tarde desta terça-feira (24) na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá e negou que tenha matado Ana Cristina. Mas de acordo com o delegado as contradições no depoimento e algumas perguntas não esclarecidas pelo suspeito, fortalecem os indícios de que o policial cometeu o crime. A polícia suspeita ainda da participação de uma segunda pessoa no caso. Essa hipótese está sendo investigada.

Carro do PM desapareceu

Ana Cristina desapareceu no domingo (22) de manhã. Em depoimento o policial confirma que se encontrou com ela na manhã de domingo e deu R$ 50 para Ana Cristina comprar medicamentos. A partir desse momento ele disse não ter mais visto a amante. Mas Claudenir não tem álibi. Ele ficou um bom tempo fora de casa no domingo e não consegue explicar aonde estava e nem com quem esteve. O próprio depoimento da esposa dele esclarece que durante várias horas no domingo ele não estava com a família.

Outra suspeita que reforça a acusação do delegado é que o carro que pertencia ao PM no dia do crime, desapareceu. A polícia está à procura desse veículo para periciá-lo. O automóvel, um Gol ano 2008, teria sido vendido ontem por R$ 4 mil. No mesmo dia o policial comprou outro carro, um Corsa prata que agora está apreendido pela Polícia Militar. O Gol preto pode ter sido utilizado para transportar o corpo de Ana Cristina até o local onde foi encontrado.

Corpo abandonado em matagal

Delegado Márcio Pieroni diz estar convicto que policial matou a amante e vai pedir prisão preventivaO delegado da Polícia Civil, Márcio Pieroni não acredita que a jovem foi morta próximo da BR-364, onde o corpo foi localizado. Para a polícia, ela foi assassinada em outro local. Pode ter sido dentro do carro que ainda não foi localizado, ou em alguma residência. O corpo foi abandonado em um matagal próximo a uma estradinha de terra que dá acesso à BR-364, na saída de Cuiabá para Rondonópolis. Funcionários de uma operadora de telefonia encontraram o corpo nesta terça-feira enquanto trabalhavam. Eles limpavam o matagal próximo da rede de telefonia e notaram um cheiro forte no local. Ao verificar, encontraram o corpo da mulher e chamaram a polícia.

Somente depois da chegada da perícia ao local é que foi descoberto o corpo do bebê. Debaixo do short da mãe havia um grande volume. Ao retirar o corpo os peritos notaram que se tratava de um bebê. As fotos foram mostradas para o soldado da PM suspeito do crime durante o depoimento. Ele não teve reação. Segundo o delegado, as imagens fortes mexeram com Claudenir. "Ele deve ter sentido, no fundo, a besteira que fez", contou o delegado.

Como o laudo do Instituto Médico Legal ainda não está pronto, a polícia não tem como afirmar que Ana Cristina ingeriu algum medicamento abortivo, mas esta hipótese não está descartada. Só o laudo também vai esclarecer se a mãe já estava morta ou não no momento em que o bebê foi expelido.

A criança já estava totalmente formada, pronta para nascer. Era uma menina e o nome se chamaria Maria Eduarda. O enxoval já tinha sido preparado e a família aguardava o nascimento da menina, que não teve a chance de vir ao mundo.

PM diz ter sido pressionado para assumir filho, mas nega o crime

Claudenir disse ao delegado que tinha um relacionamento com Ana Cristina há cerca de um ano. Contou que depois que ela engravidou, começaram a surgir os problemas. O policial teria escondido tudo da família e a pressão de Cristina para que ele assumisse o filho aumentou. O PM disse não ter certeza de que o filho era dele e estava preocupado com a possibilidade da esposa dele saber do caso, mas negou que tenha matado Ana Cristina.

Em depoimento, a esposa de Claudenir também confirma que não sabia do caso extraconjugal do marido policial. Ela afirma que a notícia que surgiu nesta terça-feira com a repercussão da morte da jovem deixou a família transtornada.

Prisão

 preso administrativamenteO PM já está preso administrativamente na sede da Rotam, uma determinação do comandante geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Osmar Lino de Farias. Segundo o comandante, o caso ganhou repercussão por ter um agente público envolvido. Se fosse alguém que atuasse na iniciativa privada - avalia o coronel - não teria tanta repercussão assim. Mas quando sair a prisão preventiva, o PM deve ser encaminhado para o presídio militar de Santo Antônio de Leverger. O próprio comando da PM vê fortes indícios de que Claudenir Souza Sales seja mesmo o responsável pela morte da jovem amante.

O comando da PM também deve instaurar um procedimento contra o policial militar, que pode ser expulso se for confirmado que ele cometeu o crime.

O delegado da Polícia Civil confirmou que deve pedir a prisão preventiva do policial da Rotam nas próximas horas.











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