07.06.2019 | 11h30


O COMENDADOR

Delegado aponta que Arcanjo estaria tendo privilégios na Penitenciária Central

Delegado Flávio Stringueta tomou depoimento do bicheiro e declarou estranheza pelo fato do chefe do jogo do bicho não ter a cabeça raspada como os outros presos.


DA REDAÇÃO

Na semana de interrogatórios dos presos na Operação Mantus, na sede da Gerencia de Combate ao Crime Organizado (GCCO), João Arcanjo Ribeiro foi o único que apareceu com a cabeça sem estar raspada – que é um procedimento padrão para presos que entram no regime fechado em Mato Grosso.

Arcanjo prestou depoimento na tarde de quinta-feira (06) e negou seu envolvimento com a pratica ilegal de Jogo do Bicho. O fato dele não estar com a cabeça raspada, levantou a suspeita de que ele esteja tendo privilégios na Penitenciária Central do Estado (PCE), onde cumpre pena.

“Isso me chamou a atenção, não acredito que ele viria com cabelo na cabeça, então, obviamente está tendo algum privilégio. A Secretaria [ de Segurança] tem que responder isso. Acho que fica feio até para o diretor, apresentar o preso dessa forma. Em meio aos milhares que tem lá, ele é o único que não cortou o cabelo. É bem constrangedor para o diretor e eu não aceitaria passar por algo assim”, disse o delegado Flávio Stringueta, à imprensa, após depoimento de João Arcanjo.

Na unidade, considerada de segurança máxima, Arcanjo fica preso em cela separada dos demais detentos, já que é considerado de alta periculosidade e seu poder aquisitivo poderia gerar até mesmo motim em que fosse usado como refém.

Dois dias antes, por exemplo, o genro de Arcanjo, Giovanni Zem Rodrigues também prestou depoimento no GCCO, com a cabeça raspada. Giovanni figura na envestigação como um dos líderes da organização criminosa ao lado do sogro.

RepórterMT

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Arcanjo foi interrogado pelo delegado Flávio Stringueta.

Em nota, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) negou que Arcanjo esteja recebendo algum tipo de privilégio.

“A Administração Penitenciária esclarece que o fato de não ter cortado o cabelo do preso João Arcanjo Ribeiro não significa que ele tenha recebido privilégio de qualquer natureza, sendo aplicados os procedimentos operacionais previstos. A Gestão Penitenciária determinou também à direção da Penitenciária Central do Estado que o preso receba o tratamento que é dispensado a todos os custodiados na unidade”, disse a Sesp.

Operação Mantus

A operação cumpriu 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar. As investigações iniciaram em agosto de 2017, conseguindo descortinar duas organizações criminosas que comandam o jogo do bicho no Estado de Mato Grosso, e que movimentaram em um ano, apenas em contas bancárias, mais de R$ 20 milhões. Uma das organizações, conforme a polícia, é liderada por João Arcanjo Ribeiro e seu genro Giovanni Zem Rodrigues, já a outra é liderada por Frederico Muller Coutinho.

O comendador

João Arcanjo Ribeiro, conhecido como “comendador”, é acusado de liderar o crime organizado em Mato Grosso, nas décadas de 80 e 90, sendo o maior “bicheiro” do Estado, além de estar envolvido com a sonegação de milhares de Reais em impostos, entre outros crimes.

No ano de 2002, Arcanjo foi alvo da operação da Polícia Federal, Arca de Noé, em que teve o mandado de prisão preventiva expedido pelos crimes de contravenção penal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e homicídio. A prisão do bicheiro foi cumprida em abril de 2003 no Uruguai. Arcanjo conseguiu a progressão de pena do regime fechado para o semiaberto em fevereiro de 2018, após 15 anos preso.

O comendador II

O empresário Frederico Müller Coutinho é um dos delatores da Operação Sodoma, que investigou fraudes que resultaram na prisão do ex-governador Silval Barbosa. Müller trocava cheques no esquema e chegou a passar dinheiro para o então braço direito do ex-governador. Os cheques teriam sido emitidos como parte de um suposto acordo de pagamento de propina ao grupo político do ex-governador.

 











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