14.02.2011 | 08h52


POLÍCIA

Cresce número de menores no crime; em Cuaibá são 19 gangues

MAYARA MICHELS 7h25
DA REDAÇÃO

Aproveitando-se das brechas na lei e da quase nenhuma severidade delas em relação a menores de 18 anos, é cada vez maior o número de adolescentes recrutados por assaltantes, assassinos e, principalmente, traficantes. Na Grande Cuiabá, os números assustam. Em outubro do ano passado a Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) mapeou as gangues que atuam em atividades criminosas em Cuiabá.

Os grupos foram divididos em quatro bairros da cidade e foram identificados em regiões distintas. Cerca de 600 adolescentes participam dos grupos, com idades de 13 aos 17 anos. "A maior parte dos adolescentes apreendidos em janeiro deste ano, foi por envolvimento ao tráfico de drogas", disse o delegado Paulo Alberto Araújo. Só na última quarta-feira (9) sete menores foram detidos pela PM, um praticou assassinato e outro morreu em "acerto de contas".

Segundo o levantamento da DEA, seis gangues atuam no CPA. Outras cinco comandam o crime no Pedra 90. No bairro Dom Aquino são quatro gangues identificadas e no Santa Isabel são outras três. No Jardim Colorado, um fato pouco comum, os policiais descobriram uma gangue formada só de meninas.

Segundo o delegado Araújo, nos casos em que o adolescente é apreendido pela prática de pequenos delitos, como ameaças, furtos de aparelhos, quem define se o menor será solto ou será encaminhado para a internação é o próprio delegado. Já nos casos mais graves, como roubos, tráfico de drogas, homicídios e latrocínio (roubo seguido de morte), o menor é internado por 45 dias e quem define o destino é o Ministério Público.

Prisões: Em 2008, a polícia militar apreendeu 882 menores infratores. Em 2009, o número caiu para 851. Em 2010, até o mês de novembro, foram 720 apreensões. Desses, 213 permaneceram internados, pois foram apreendidos em flagrantes ou tiveram o mandado de internação decretada pela justiça.

Além disso, segundo dados divulgados pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), dos 310 assassinatos ocorridos no ano passado, 38 eram adolescentes infratores, mortos em "acerto de contas".

Segundo o promotor Manuel Rezende, responsável pela Procuradoria Especializada da Infância e Juventude, um dos motivos para o aumento da criminalidade seria a falta de atividades para os jovens. "Programas para "tirar" os jovens das ruas são fundamentais no processo. A maioria dos detidos mora com os pais, mas estão fora do controle da família", diz o promotor.

Estatísticas apontam também que adolescentes que estão fora da escola praticam os piores delitos, como assassinatos, tráfico de drogas e assaltos. Já os infratores que frequentam uma escala praticam delitos leves, como furtos ou ameaças, o que comprova que a educação é o único caminho para evitar que crianças, adolescentes e jovens entrem para o mundo do crime. Uma viagem que, na maioria das vezes, só tem dois destinos certos: a cadeia e o cemitério.

 

 











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