06.10.2010 | 11h48


POLÍCIA

Cinco gangues atuam no Pedra 90, alerta polícia



Silvana Ribas
Da Redação

Em apenas uma das escolas do bairro Pedra 90 a Polícia identificou 60 estudantes que integram gangues. Em outra unidade são 47 membros, afirma o delegado Paulo Alberto Araújo, que faz parte do Programa Paz nas Escolas. Só no bairro Pedra 90 são 5 gangues diferentes, incluindo uma formada por mulheres, a "Facção Feminina PCP Pedra 90". O titular da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) falou ontem sobre o mapeamento das gangues a representantes de 21 escolas de Cuiabá e Várzea Grande. O objetivo, segundo ele, é levar aos professores, diretores e técnicos das unidades as orientações necessárias para tratar do tema. Um levantamento que iniciou há 4 meses apontou para a existência de 31 grupos distintos, nos 2 municípios.

Na opinião do delegado, os profissionais da educação tem que ter um "olhar diferente" sobre este aluno que hoje está em situação de risco e se abandonar a escola perderá o único vínculo que pode evitar que entre para uma vida criminal sem volta. Acredita que a solução para conter a criminalidade dentro e fora das unidades não está na realização de "arrastões" com a internação destes alunos, mas criar opções e possibilidades de que os envolvam em atividades que neutralizem a sedução e o assédio das gangues.

Esta situação faz parte da rotina de muitos professores, lembra a professora Marinalva Carvalho, que atua há 28 anos no magistério estadual. Durante a apresentação ela se assustou quando viu um aluno que passou pelas mãos dela, ainda criança, hoje membro atuante de uma gangue no município. As fotos são postadas pelos grupos nos sites de relacionamentos e mostram o estilo da "vida loka" dos jovens. Na escola em que atua, no bairro Jardim Maringá 1, em Várzea Grande, o envolvimento da comunidade escolar como um todo, acompanhando a vida de cada estudante foi o melhor remédio contra a violência. "Não importa se a conta telefônica vem alta, mas ligamos, vamos atrás de cada um deles e chamamos a família e o Conselho Tutelar quando a situação exige".

Araújo lembra que a escola tem que oferecer atrativos e agir de forma que neutralize os líderes destas gangues que promovem o aliciamento dos estudantes oferecendo "segurança" para seus membros e a oportunidade de ingressarem na vida criminal, além de festas regadas a drogas, álcool e sexo com adolescentes. Orienta aos professores não "explodirem" diante das provocações do aluno. "Quando isto acontece ele cresce diante dos demais. Percebemos que estes alunos têm orgulho em narrar as atividades ilícitas deles".

O delegado assegura que se as escolas não tiverem este olhar atento para estes grupos, a realidade de violência pode se tornar ainda mais insustentável e estes alunos podem contribuir para o aumento da criminalidade, onde todos da sociedade estão expostos.

Em 4 meses já foram 18 palestras da equipe multidisciplinar da delegacia (policiais, professora, assistente social e psicóloga), levada a professores, dirigentes e funcionários das escolas, além de alunos, pais e responsáveis.











COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.

TV REPÓRTER

INFORME PUBLICITÁRIO