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09.02.2011 | 17h38


POLÍCIA

Cabo da PM foi morto em Colniza por "saber de mais", denuncia mãe

MAYARA MICHELS       16h31
DA REDAÇÃO

O caso do PM executado dentro de um quartel em Colniza (1.065 km a Noroeste de Cuiabá), em novembro passado, pode ter uma reviravolta. Em entrevista com exclusividade para o RepórterMT, a mãe do cabo Fernando Márcio da Silva, 27, disse que o filho "sabia de muita coisa e a família suspeita que a ordem para a execução tenha partido de pessoas que temiam que ele revelasse algum esquema ilícito". Até o momento a Corregedoria da Polícia Militar não divulgou o motivo do crime.

Fernando foi assassinado com três tiros nas costas na noite do dia 17 de novembro pelo também cabo da PM Wagner Alves, que era seu colega de trabalho. A Corregedoria da PM não quis se manifestar sobre o assunto, alegando segredo de Justiça. Alves foi detido e está suspenso de suas funções. Ele encontra-se detido no Presídio Militar em Santo Antônio de Leverger.

Segundo a mãe de Fernando, Delcina Silva, professora de Português da Escola Estadual Pio Machado, de Acorizal, o filho era "honesto, trabalhava direitinho e não caia em conversa de malandro". "Era muito respeitado na polícia por ser honesto no trabalho, os outros policiais tinham inveja dele", assegura. Fernando era separado e deixou uma filha de 4 anos.

Segundo Delcina, alguns meses antes da tragédia ela esteve com o filho em Colniza. "Passei 21 dias com ele, conheci seus amigos. Eu só senti problema dentro da polícia. Um dia fiquei na recepção esperando por ele, quando alguns policiais chegaram, e, sem saber que eu era a mãe dele, eles deixaram escapar algumas ofensas contra ele. Disseram: `o macaco do Fernando ainda está aí? O bebezinho do Comandante ainda está, mas é um pau de fumo mesmo`", relatou a mãe as ofensas que ouviu.

Depois disso, ela contou para o filho sobre esses palavrões que ouviu a respeito, e a resposta que ela teve foi a seguinte: "mãe, sou um dos poucos honestos aqui no quartel, muitos têm rabo preso com caminhoneiros que transportam madeira e empresários da região, por isso sou respeitado pelo comandante e invejado por outros colegas", declarou na ocasião o cabo, que acabou sendo executado.

Investigação

A reportagem entrou em contato com a Corregedoria da Polícia Militar, para falar sobre o caso e a resposta foi que o inquérito já foi concluído e encaminhado para a Justiça.
Porém a corregedoria não revelou o motivo do crime alegando que as investigações correm em segredo de justiça.

Segundo a polícia, no inicio das investigações suspeitou-se de crime passional, mas no decorrer das investigações a hipóteses foi descartada. Sobre as acusações da mãe da vítima, a corregedoria disse que se existem provas a mãe deve encaminhá-las ao Ministério Público ou procurar a corregedoria da polícia para a devida apuração.

Baseado em provas periciais, o inquérito concluiu que o acusado foi o autor do assassinato. Por isso, a família estranha que até o momento o acusado não tenha confessado o crime e nem a motivação. "Essa investigação está estranha, tudo pela metade. Eu acredito que ele sabia demais, por isso mataram meu filho. Mas é questão de honra a polícia me provar que não foi esse o motivo. Porque até hoje não escutei de ninguém falar que ele teve algum desentendimento com alguém dias antes do crime. A família toda espera por justiça", finalizou a mãe.











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