15.09.2010 | 13h28


POLÍCIA

Baía de Chacororé levará quatro anos para ser recuperada



ANTONIELLE COSTA
DA REDAÇÃO

O quadro de degradação da Baía de Chacororé, o terceiro maior curso d'água no Pantanal de Mato Grosso, localizada no Município de Barão de Melgaço (113 km ao Sul de Cuiabá), somente deverá ser revertida em quatro anos.

A previsão é do professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Rubem Mauro Palma de Moura, que integrou uma comitiva liderada pelo secretário de Estado de Meio Ambiente, Alexander Maia, que visitou à região na terça-feira (14).

A baía enfrenta uma das maiores secas dos últimos 20 anos, em função do período de estiagem e da ação predatória do homem. Após denúncia do programa "Fantástico", da TV Globo, reproduzida na mídia regional e nacional, o Ministério Público Estadual ingressou com uma Ação Civil Pública contra a Prefeitura de Barão de Melgaço e a Sema, para adotarem medidas urgentes e evitarem um desastre ecológico.

Segundo a promotora Julieta do Nascimento Souza, o Município de Barão de Melgaço é culpado pelo fechamento dos corixos que abastecem a Baía de Chacororé, na época de seca. Os corixos foram aterrados em virtude da construção da rodovia municipal do Estirão Cumprido, que liga Barão a baía.

Já a Sema é acusada pelo MPE de não cumprir seu papel de fiscalizadora do Meio Ambiente, uma vez que as barragens que serviam para evitar uma seca maior foram destruídas pelo homem.

Após a ação, a Sema adotou medidas paliativas para evitar que o desastre da baía seja maior, entre elas, a construção de barragens que impedirão que a água desague na Baía de Siá Mariana e, consequentemente, volte para o Rio Cuiabá.

No que tange à desobstrução dos corixos, o secretário Alexander Maia informou que será necessária a assinatura de convênio com a Prefeitura de Barão de Melgaço, uma vez que a rodovia que corta os corixos é municipal. Maia não precisou data, no entanto, destacou que a desobstrução deverá ser realizada com urgência.

"Este é um problema que existe há mais de 30 anos e, desde então, vêm-se adotando medidas paliativas. E, neste ano, em função da estiagem mais forte, a situação se agravou. Em 1999, o Estado construiu várias barragens - que, por sua vez, foram reforçadas no ano passado, mas foram destruídas pelo homem. Vamos adotar essas medidas, mas é preciso fazer estudos para ter uma solução definitiva", afirmou o secretário.

Recuperação

De acordo com o engenheiro Rubem Moura, somente com a desobstrução imediata dos corixos e as barragens, pode-se evitar um desastre ainda maior na baía e acelerar o processo de recuperação. "Na década de 50, a Baía de Chacororé alimentou o Brasil com peixes e, hoje, 60% do espelho d'água estão destruídos. Matar um corixo é matar o Pantanal", disse.











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